• hikafigueiredo

"O Segredo da Porta Fechada" de Fritz Lang, 1947

Filme do dia (205/2018) - "O Segredo da Porta Fechada" de Fritz Lang, 1947 - A rica herdeira Celia (Joan Bennett) apaixona-se e se casa com Mark (Michael Redgrave), um misterioso homem que conhece em uma viagem ao México. No entanto, o comportamento ambíguo de Mark faz Celia suspeitar das intenções do marido.





Com evidente inspiração em "Rebecca, A Mulher Inesquecível", de Alfred Hitchcock, a obra fundamenta-se em um terreno psicanalítico, que, embora raso, não deixa de ser estimulante e interessante. Sem perder de vista esse fundo freudiano, Lang trabalha o suspense com maestria, jogando com diferentes pontos de vista que vêm acompanhados de narrativas em off consistentes nos pensamentos de Celia e Mark - há, em certo momento, uma "quebra" do fio condutor que se revela genial, pois confunde e surpreende o espectador, que perde totalmente qualquer possibilidade de previsão dos acontecimentos (e, vamos combinar, nada é mais chato que prever os acontecimentos de um filme de suspense; surpreender, aqui, é um grato prazer proporcionado pela obra!!!). Descrevendo assim pode parecer que a narrativa é truncada - talvez até seja, mas funciona super bem para criar tensão e assumo que adorei. Não bastasse o roteiro instigante, o filme conta com uma estética que nos remete ao Expressionismo Alemão, com uma fotografia P&B muitíssimo contrastada, a luz proporcionando recortes e, de certa forma, distorções, que nos remetem, imediatamente, a um universo onírico - em certo momento, tudo parece um grande pesadelo e já não sabemos até que ponto o que vemos é real ou está marcado pelo imaginário dos personagens. Quanto às interpretações, gostei bastante do trabalho de Joan Bennett: a personagem oscila de acordo com sua intuição acerca do marido e de sua conduta e esse vai-e-vem proporciona um terreno fértil para a atuação da atriz. Não curti tanto a interpretação de Michael Redgrave, que me pareceu mais "pesado", mas que não chega a estragar o andamento da história. O filme é bacana, tenso e me deixou "ligadíssima" - gostei demais!!!! Recomendo sem pensar duas vezes!

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