• hikafigueiredo

"O Substituto", de Tony Kaye, 2011

Filme do dia (48/2022) - "O Substituto", de Tony Kaye, 2011 - Henry Barthes (Adrien Brody) é um professor substituto que chega a uma problemática escola para acompanhar seus alunos pelo período de um mês. Ele encontrará a resistência dos estudantes, que trará mais transtornos à sua já caótica vida.





O filme, perturbador, discorre sobre a falência do ensino formal, sobre o desgaste sofrido por educadores, sobre a indiferença dos alunos, sobre a dificuldade de comunicação entre estudantes e professores, sobre relacionamento entre pais e filhos e, em última análise, sobre como sobreviver levando a carga de sofrimento e dores que a vida, em si, encarrega-se de nos proporcionar. A obra também trata de empatia, responsabilidade afetiva e profissional e resiliência. Ao longo da narrativa, temos inúmeras pequenas situações de conflito entre jovens estudantes raivosos e seus professores exaustos, gerando frustração em ambos os lados. Também temos o reflexo desse desgaste na vida pessoal de cada professor que, como qualquer pessoa, ainda têm os problemas extra-classe para lidar. A narrativa apresenta, de maneira cronológica, a vivência do professor Barthes naquela escola e fora dela, entremeada por um sem fim de pequenos esquetes dos demais professores, da diretora do colégio e de uma aluna que vive uma relação conturbada com seu pai. Também temos várias cenas em que Barthes e outros professores aparecem dando seus depoimentos quanto à sua experiência enquanto educadores. Confesso que achei a construção narrativa um pouco confusa, dando a impressão que o diretor teve várias ideias e não quis desperdiçar nenhuma, então aproveitou tudo. O ritmo é moderado e irregular. A atmosfera é de depressão e desespero - a mensagem que o filme passa é de que a vida é um fardo e que temos de nos conformar em carregá-lo, sem qualquer expectativa de que possamos modificar essa situação, pois, seja na adolescência, como estudantes, ou na vida adulta, como qualquer profissional, os problemas e dores estarão lá, juntinho com a gente. O filme, por diversas vezes, traz planos fechados no rosto dos personagens que, por vezes olham para seu interlocutor, por outras olham diretamente para a câmera, como que interagindo diretamente com o espectador. Um mérito da obra é seu elenco de altíssimo nível, encabeçado por Adrien Brody como professor Barthes - o ator, talentosíssimo, carrega o personagem de dores emocionais excruciantes e de uma instabilidade que Barthes luta para contes; no papel de diretora, Márcia Gay Harden, sempre ótima; como a jovem prostituta Erica, Samy Gayle; como profissionais da escola, temos atores do nível de James Caan, Bryan Cranston, Lucy Liu e Christina Hendricks; e como a sofrida aluna Meredith, a filha do diretor Betty Kaye, bastante bem no papel (muito embora eu tenha a sensação de que a personagem tenha sido encomendada para ela). Eu diria que é um filme razoável, com alguns problemas de direção, mas que prende a atenção e não chega a decepcionar. Por outro lado, tenho de dizer que acabei a obra desgastada, com um gosto amargo na boca e sem ânimo sequer para escrever sobre ele (tive de dar um tempo até conseguir escrever sobre o filme). Acho que vale principalmente pela presença de Adrien Brody. Recomendo com algumas ressalvas.

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