• hikafigueiredo

"O Trovador Kerib", de Sergei Parajanov, 1988

Filme do dia (73/2018) - "O Trovador Kerib", de Sergei Parajanov, 1988 - O jovem Ashik-Kerib (Yuri Mgoyan) apaixona-se pela filha de um rico comerciante, mas é rejeitado como pretendente pelo pai da moça por ele ser apenas um pobre trovador. Kerib, então, sai pelo mundo atrás de fortuna no intuito de voltar e reencontrar sua amada.





Baseado em contos e lendas populares e milenares do Cáucaso, a obra retrata a história de amor e aventuras do personagem. Simbólico, alegórico e não naturalista, o filme subverte tudo aquilo que habitualmente chamamos de cinema. Extremamente teatral, repleta de elementos fantásticos e com forte clima onírico, a obra cede especial atenção aos símbolos de identidade cultural da região e dos povos nela contidos - constantemente há, na tela, imagens de pinturas, esculturas, arquitetura, objetos, vestimentas, danças e rituais que reforçam a ideia de pertencimento àquela cultura, sempre acompanhadas de músicas tradicionais e típicas daqueles povos. Não há, ao longo da história, nenhum diálogo real - como numa lenda passada através da oralidade, os diálogos são transmitidos pelos narradores, em "off", os quais apenas representam os personagens. Composta por "capítulos", a obra tem fragmentos mais dramáticos entremeados de cenas quase cômicas. Destaque para a bela fotografia e para a direção de arte espetacular, muito colorida, completamente absorvida pelos elementos culturais daquela região. Também chamou minha atenção a edição de som, em especial alguns sons que me remeteram aos desenhos animados infantis e que eram responsáveis pelo tom cômico de algumas passagens. Até as feições dos atores nos remetem às pinturas bizantinas - é quase assustador. Veja bem... não espere nada de tradicional neste filme - ele NÃO é cinema de entretenimento, ele NÃO se parece com o que usualmente assistimos na sala de cinema, o ritmo dele é quase inexistente e o espectador tem de se despojar de todas as suas expectativas para aceitar e receber a obra. Ao final, há uma dedicatória do diretor a Andrei Tarkovski e essa mera referência já explica muito coisa acerca da atmosfera, linguagem e construção do filme. Olha, eu gostei, mas vocês sabem que eu sou esquisitinha. Certifiquem-se de que vocês estão dispostos a ver algo beeeeem diferente do que estão acostumados antes de se arriscarem a ver este filme. Fica a dica.

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