• hikafigueiredo

"O Vale do Amor", de Guillaume Nicloux, 2015

Filme do dia (48/2018) - "O Vale do Amor", de Guillaume Nicloux, 2015 - Após o suicídio do filho, Gérard (Gérard Depardieu) e Isabelle (Isabelle Hupert) reencontram-se após muitos anos afastados. Seguindo o último desejo do filho, dirigem-se para o Vale da Morte, nos EUA, onde o jovem garantiu que se reencontrariam com ele.





Nesse drama meio esquisito, temos um panorama do sofrimento, da angústia e do vazio vivenciados pelos pais de um jovem suicida. Discute-se, aqui, a perda, a dor, a culpa e o perdão, sempre numa atmosfera sufocante que acompanha as condições físicas do lugar onde se passa a trama, um deserto com sensação térmica de 60 graus. O diálogo do ex-casal é truncado, exatamente o que se espera de duas pessoas depois de muitos anos sem qualquer contato e muitas mágoas na bagagem. O argumento do filme é ótimo e poderia render uma obra excelente, não fosse a opção bizarra de cair para uma coisa meio metafísica que, para mim, ficou completamente deslocada do resto da narrativa. Mas, no fundo, o filme é todo meio estranho, com diversas passagens que não disseram a que vieram (a cabeça do cão na sacola, os diálogos com o casal americano, o diálogo com a senhora idosa... qual a função dessas cenas na cadeia alimentar???). O ritmo da obra é lento, moroso, preguiçoso como a movimentação de alguém cansado sob o sol inclemente, novamente remetendo àquele universo específico. Apesar de toda a esquisitice da obra, ela tem alguns méritos inegáveis. O primeiro, a dobradinha fotografia-cenário, com a opção pelos espaços abertos, digna de matar do coração qualquer um que sofra de agorafobia, e de uma beleza espetacular. O segundo, a virtuose interpretativa de dois monstros do cinema francês - Gérard Depardieu e Isabelle Hupert (cujas presenças foram responsáveis pelo meu imediato interesse no filme). Depardieu está irretocável como o pai que sofre pela morte do filho mas está completamente cético quanto à possibilidade de ocorrer qualquer evento sobrenatural naquela ocasião. Já a maravilhosa Huppert está perfeita como a mãe que se mói de culpa e agarra-se, desesperada, à ideia de ter um último contato com o filho falecido. Os dois na tela nos presenteiam com um verdadeiro embate de talentos. Por outro lado, o desfecho deixa bastante a desejar. É, enfim, uma obra mediana, que promete muito mais do que cumpre e que certamente vai desagradar muita gente. Vale pelas atuações.

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