“Obsessão Sinistra”, de Curtis Harrington, 1971
- hikafigueiredo
- 27 de nov. de 2024
- 2 min de leitura
Filme do dia (155/2024) – “Obsessão Sinistra”, de Curtis Harrington, 1971 – EUA, 1930. Após a condenação de seus filhos, assassinos confessos, Helen Hill (Shelley Winters) e Adelle Bruckner (Debbie Reynolds) abandonam o estado de Iowa para morar em Hollywood, onde Adelle abre uma escola de dança para crianças. A amizade entre as duas mulheres, no entanto, é abalada pelo envolvimento de Adelle com Lincoln Palmer (Dennis Weaver), o rico pai de uma das alunas.

Do mesmo roteirista de “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?” (1962) – Henry Farrell -, a obra guarda algumas semelhanças com o filme mencionado, o que me deu certa sensação de “ideia requentada”. Como naquele, aqui também temos duas mulheres convivendo proximamente, uma delas no limiar da sanidade mental, e a outra tendo de lidar com isso. Mas, se em “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?” o roteiro é enxuto e “redondinho”, aqui senti um excesso de informações, o que mais atrapalhou do que ajudou no desenvolvimento da narrativa. Há, na história, elementos que apontam para uma insanidade prévia da personagem Helen, mas também abre-se espaço para uma relação conturbada entre as duas mulheres, marcada por disputas, inveja e rancor; existe, ainda, a questão envolvendo os filhos assassinos das duas mulheres, os quais seriam reflexo das relações doentias estabelecidas com as duas mães; também, há um conflito das “formas de ser” de cada protagonista: Helen muito religiosa e beata, Adelle solta e disposta a reconstruir sua vida afetiva; e, por fim, há uma certa tensão sexual entre as personagens, marcadamente pelo claro ciúme que Helen manifesta em relação a Adelle. Como se pode ver, há motivos demais para o colapso da personagem Helen e, na minha opinião, isso faz com que a narrativa fique vaga e pouco objetiva. Apesar de se mostrar bem aquém da obra mencionada acima, o filme não chega a ser ruim, ele é apenas um pouco “perdido” neste excesso de informações. A narrativa é linear, em ritmo marcado e crescente. A atmosfera de tensão e gradual perda de controle é muito bem construída e, certamente, devem-se às ótimas interpretações da dupla Shelley Winters e Debbie Reynolds. Destaco o trabalho de Winters, o qual refletiu o colapso real que a atriz estava passando naquele momento: a personagem caminha a passos largos para a loucura e demonstra total fragilidade psicológica, tudo graças ao talento da atriz. Acredito que o filme teria sido mais impactante se tivesse sido filmado em P&B – ele tem características góticas bem-marcadas, merecia uma fotografia P&B bem contrastada. Infelizmente, pelo “andar da carruagem”, o desfecho não chegou a surpreender, o que foi um pouco decepcionante. Diria que é um filme mediano – dá para assistir, mas não chega a empolgar realmente. Pelas minhas pesquisas, o filme não está em nenhum streaming, só podendo ser visto em torrent ou mídia física.



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