• hikafigueiredo

"Os Amantes Crucificados", de Kenji Mizoguchi, 1954

Filme do dia (123/2019) - "Os Amantes Crucificados", de Kenji Mizoguchi, 1954 - A bela Osan (Kyoko Kagawa) é esposa do rico comerciante Ishun (Eitarô Shindô). Ao saber que seu marido anda assediando a criada Otama (Yoko Minamida), Osan resolve flagrá-lo. No entanto, Osan falha no intento e seu plano a coloca em uma condição suspeita em relação ao funcionário Mohei (Kazuo Hasegawa). A única saída para a jovem e o funcionário, suspeitos de adultério, é fugir.





Mais uma vez, Mizoguchi envereda pelo terreno do drama e, de novo, expõe a hipocrisia, a rigidez e o machismo da sociedade japonesa do século XVIII. Na história, vê-se que tudo é permitido ao rico comerciante, diferentemente de sua esposa e, pior, de seu humilde empregado. Enquanto Ishun utiliza seu poderio econômico para assediar a criada e "flexibilizar" regras e condutas impostas pela sociedade, à jovem Osan e ao pobre funcionário só resta fugir dos terríveis castigos impostos àqueles que ousavam se opor aos costumes e ditames sociais. Ao suposto casal adúltero sequer havia a possibilidade de explicação e defesa, não havia qualquer meio de se desfazer o mal entendido e apelar para a justiça. Assim, retrata-se uma sociedade repressora, injusta, machista, elitista, rígida, corrupta e hipócrita (pelo visto o mundo não mudou muito desde então). Por outro lado, diferente dos demais filmes do diretor, aqui apela-se para o melodrama clássico - Osan, ao contrário de outras personagens de outras obras de Mizoguchi, expõe sua extrema fragilidade e passa 90% do tempo do filme se esvaindo em lágrimas. Põe-se de lado, aqui, a típica conduta reservada e severa dos orientais para cair em uma atitude impulsiva e profundamente passional, quase um dramalhão "mexicano". Talvez por esse excesso sentimental, foi a obra do diretor que menos me encantou. Ainda assim, é um filme bem feito, que merece o nosso respeito. A fotografia P&B é suave, sem contrastes marcados. A música é essencialmente típica, com o uso de muitos tambores. Direção de arte de época excepcional, com destaque para os figurinos. As interpretações foram a contento, mas sem grandes destaques. Prefiro outros filmes de Mizoguchi, deixaria esse para depois das demais obras.

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