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  • hikafigueiredo

"Os Banshees de Inisherin", de Martin McDonagh, 2022

Filme do dia (13/2023) - "Os Banshees de Inisherin", de Martin McDonagh, 2022 - O ano é 1920. Numa remota e minúscula ilha na costa irlandesa, o agricultor Pádraic (Colin Farrell) surpreende-se quando seu melhor amigo Colm (Brendan Gleeson) resolve, sem qualquer explicação, colocar um ponto final na amizade. Confuso, Pádraic insiste em manter a amizade, mas Colm refuta qualquer tentativa de aproximação do ex-amigo. Subitamente, Colm dá um ultimato a Pádraic e toma medidas drásticas quando ele, mais uma vez, insiste em procurá-lo.





Olha... este é um filme bem difícil de situar, talvez até de entender. É uma obra estranhíssima, que me remeteu, de imediato, aos filmes de Yorgos Lanthimos, com quem trava um curioso diálogo. A história vai tratar da relação de amizade/inimizade entre dois personagens completamente diferentes - Pádraic e Colm. Pádraic é claramente um homem com sérias limitações cognitivas, mas com um enorme coração. Afetuoso, ele é apegado ao amigo, à irmã e aos seus muitos animais. Já Colm é um sujeito bem mais prático, objetivo e desapegado de tudo. A suposta amizade deles, na realidade, é uma incógnita, pois evidentemente eles são diametralmente opostos. A negação desta amizade por parte de Colm vai abrir espaço para discutir muitos temas, tais como lealdade, comprometimento, determinação, motivações, mágoas, vingança, (des)respeito... o espectador vai ser exposto a tantas condutas no mínimo estranhas, algumas desesperadas, outras repletas de sentimentos contraditórios, que é até difícil filtrar. Certo é que a obra desperta sentimentos bastante profundos e perturbadores no espectador - é um filme muito sensorial, em que os sentimentos afloram com muita energia no público (novamente remetendo aos filmes de Lanthimos). Eu confesso que saí bastante angustiada do filme, ele me perturbou profundamente (ah, mas isso não é ruim não, eu adoro filmes que mexem comigo assim!!!). Fora este conteúdo pesado, denso e angustiado, a obra é visualmente belíssima - não bastasse a fotografia caprichada, em tons quentes, amarelados, aproveita-se muito bem o espaço geográfico local, com muitos planos abertos, mostrando a natureza quase intocada. Além disso, o design de produção (odeio esse termo, sempre vou preferir direção de arte) de época é extremamente detalhista, sentimos que estamos realmente em outro tempo! Também gostei da trilha musical do filme, apoiada em música típica irlandesa. Como cereja do bolo, temos um elenco afiadíssimo, encabeçado por um ótimo Colin Farrell como o limitado Pádraic - juro que o ator vem me surpreendendo dia a dia com suas interpretações, já que no passado eu não o achava um bom ator, mas aqui ele está perfeito!!!! Como Colm, Brendan Gleeson, maravilhoso como o amargo ex-amigo, decidido a não perder mais seu precioso tempo com o bobalhão Pádraic. Kerry Condon interpreta Siobhán, a irmã triste e solitária de Pádraic. Mas, para mim, quem merece toda a atenção é o jovem ator Berry Keoghan, que interpreta um ainda mais limitado Dominic, um personagem com problemas mentais que é abusado pelo pai policial e rejeitado pelas mulheres da ilha - eu AMO esse ator, ele é incrível!!! Colin Farrell ganhou o Globo de Ouro (2023) por seu papel, bem merecido. A obra ganhou Globo de Ouro de Melhor Roteiro e Melhor Filme Comédia ou Musical (ainda que o filme tenha passagens realmente cômicas e tenha forte presença musical, já que Colm é um músico, eu discordo DEMAIS dessa classificação... o filem é um drama perturbador, incabível como comédia); para o Oscar (2023), o filme está com nove indicações: Melhores Filme, Direção, Ator (Colin Farrell), Ator Coadjuvante (Brendan Gleeson e Berry Keoghan), Atriz Coadjuvante (Kerry Condon), Roteiro Original, Trilha Sonora e Edição - ufa!!!! Eu AMEI o filme, mesmo o achando esquisito, e vou torcer muito por ele no Oscar. PS - a título de curiosidade. Colin Ferrell e Brendan Gleeson trabalharam juntos em "Na Mira do Chefe" (2008), do próprio Martin McDonagh; e Colin Ferrell e Berry Keoghan trabalharam juntos em "O Sacrifício do Cervo Sagrado" (2017), do já mencionado Yorgos Lanthimos - logo, estão todos "em casa"...

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