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  • hikafigueiredo

"Os Fabelmans", de Steven Spielberg, 2023

Filme do dia (08/2023) - "Os Fabelmans", de Steven Spielberg, 2023 - EUA, década de 50. Um jovem casal (Paul Dano e Michelle Williams) leva seu filho Sammy pela primeira vez ao cinema para assistir ao filme "O Maior Espetáculo da Terra". É o começo de uma grande paixão do menino pelo cinema, incentivado pela mãe, uma concertista de piano frustrada.





Antes de começar o filme no cinema, uma pequena apresentação de Steven Spielberg nos informa que este é seu filme mais pessoal, sugerindo tratar-se, em parte, de uma obra autobiográfica. Ainda que acredite que uma parte considerável seja mesmo autobiográfica, é bem claro que o diretor romanceou um bocado suas memórias, o que não tira o mérito da história que discorre, basicamente, sobre sonhos e relações de afeto. A história mostra o surgimento do interesse do protagonista Sammy - o alter ego do diretor - pelo cinema, ainda na infância. Vindo de uma família judia bastante tradicional, Sammy percebe, de um lado, a frustração de sua mãe, uma talentosa pianista que largou a arte para se dedicar à família, e de outro, a disposição de seu pai, um brilhante engenheiro, para o trabalho e a pesquisa. O jovem logo manifesta o talento para as artes da mãe e a tenacidade e engenhosidade do pai e passa a flertar com o cinema, realizando pequenos filmes caseiros. Rapidamente, o protagonista percebe - inclusive na dinâmica dos seus pais - um certo confronto entre o impulso de seguir seus sonhos e as responsabilidades exigidas pela família/entes queridos, sendo, este, especificamente, o foco da história. O filme, é antes de tudo, uma história de amor - amor ao cinema e amor à família, ambos manifestados pelo protagonista Sammy. É interessante que mesmo nos momentos de confronto com seus pais - e Sammy terá motivos para colidir de frente com um e com outro -, as relações entre os familiares serão sempre imbuídas de profundo afeto (como quase sempre são as nossas memórias). Mas o amor mais palpável do filme é pelo cinema, sendo esta uma obra completamente metalinguística e que tece inúmeras homenagens à arte cinematográfica nas suas mais de duas horas de duração. A narrativa é linear, em um ritmo moderado. A atmosfera é leve na maior parte do tempo, mesmo nos momentos mais dramáticos, inclusive com alguns alívios cômicos como a inserção da personagem Monica (a cena do quarto é impagável!). Claro que, sendo filme do Spielberg, há, aqui e ali, algumas pesadas de mão no melodrama (em especial na cena de Sammy com o rapaz popular da escola, durante a festa de formatura, que valeu mais pela "cutucada" dada do que pela dinâmica do filme em si - sem spoilers), mas que não estragam o filme em si. Evidente, também, que tecnicamente o filme é perfeito, padrão blockbuster de Hollywood de ponta a ponta, mas bem que o diretor faz algumas pequenas "brincadeiras" ao longo da narrativa (como nas cenas dos filmes caseiros de Sammy e, em especial, na cena final), a demonstrar o humor de Spielberg. Impossível não destacar o trabalho do elenco - o filme é, muito, de Michelle Williams - seu trabalho é muito consistente e tem pelo menos duas cenas em que sua expressão facial é simplesmente brilhante -, tanto que está concorrendo ao Oscar(2023) de Melhor Atriz pelo papel. A personagem da mãe de Sammy é complexa, cheia de meandros e detalhes e eu, admito, fiquei apaixonada por ela. No papel de pai de Sammy, meu queridinho Paul Dano - eu sou louca pelo ator e o acho absurdamente subestimado, já passou da hora de Dano ganhar um Oscar!!!! O olhar que Spielberg joga sobre o personagem é de um carinho e uma admiração sem precedentes, fiquei tocada por isso. No papel do jovem Sammy, Gabriel LaBelle, em um trabalho consistente, tendo sido indicado a melhor jovem ator no Critics' Choice Awards (2023). Seth Rogen interpreta o "tio" Bennie, importante peça na história. Judd Hirsch interpreta o tio Boris, numa participação pequena, mas marcante (está concorrendo ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel). Destaque para David Lynch fazendo uma ponta como John Ford (um ícone interpretando outro ícone, amei!!!!). Olha... o filme é gostosinho, passou rápido para mim o tempo em que estive no cinema, mas o acho muito padrãozinho para levar o Oscar (está concorrendo a Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Roteiro Original e Melhor Design de Produção)... mas não acho impossível que leve a estatueta justamente por ser bem ao gosto da Academia (ainda mais prestando homenagem ao cinema). Eu curti, mas sem aqueeeeeeele entusiasmo.

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