• hikafigueiredo

"Os Malditos", de Joseph Losey, 1963

Filme do dia (106/2021) - "Os Malditos", de Joseph Losey, 1963 - Inglaterra, início dos anos 60. King (Oliver Reed), sua irmã Joan (Shirley Ann Field) e um grupo de amigos formam uma gangue de jovens rebeldes que assaltam turistas incautos. Numa dessas ações, Joan conhece Simon (Macdonald Carey) e se encanta com seu jeito cavalheiro. King não aceita a aproximação de Joan de Simon e os persegue, fazendo com que todos cheguem a um complexo militar que esconde um perigoso segredo.





Durante os anos 50 e 60 estávamos no auge da Guerra Fria e a paranoia envolvendo o perigo nuclear alcançava todo e qualquer indivíduo que estivesse inteirado da questão. Fosse pela ameaça de uma guerra atômica, fosse pelo risco de acidentes com a energia nuclear, a neurose e o pânico rondavam o cotidiano das pessoas. Com isso em vistas, o autor britânico H. L. Lawrence escreveu, em 1960, o romance "The Children of Light", o qual foi adaptado para cinema sob direção de Joseph Losey com o nome "The Damned". O filme é uma parábola acerca da tensão e da paranoia em que as pessoas viviam, em especial no Reino Unido, cuja lembrança da Segunda Guerra ainda se encontrava tão fresca na memória. A narrativa é linear e tem um ritmo moderado. Algo que me incomodou um pouco é que a história demora para engrenar e chegar ao cerne da questão - ao longo de praticamente uma hora, a narrativa foca quase exclusivamente no grupo de delinquentes e no envolvimento entre Joan e Simon, que nada têm a ver com o foco principal da história. Demora para chegarmos, inclusive, na atmosfera tensa e paranoica prometida no enredo. Por outro lado, posso imaginar o efeito que os acontecimentos que se seguem tiveram sobre o público daquela época, tomado pelo pânico de um conflito nuclear a qualquer momento. O filme tem uma fotografia P&B suave, sem muito contraste, com enquadramentos bastante tradicionais. No elenco, Oliver Reed interpreta, com muita energia, King, o líder da gangue de rebeldes e irmão ciumento de Joan; Shirley Ann Field interpreta, com ar blasé, a irmã de King, Joan; Macdonald Carey dá vida a Simon, o turista americano; Viveca Lindfors interpreta Freya, a artista plástica hospedada próximo ao complexo militar; e Alexander Knox faz Bernard, o cientista por trás de um experimento secreto. A segunda parte da obra é infinitamente mais interessante que seu começo e, para mim, é o que marca no filme. Eu achei a obra interessante, mas mais pelo registro de uma época do que propriamente pela história nela contida. Vale a pena? Até vale, mas não é para esperar um filme excepcional. Sobre temas conexos, aconselho a ótima animação "Quando o Vento Sopra" (1986) e o filme "Anatomia do Medo", de Akira Kurosawa (1955).

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