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"Os Melhores Anos de Nossas Vidas", de William Wyler, 1946

Filme do dia (167/2020) - "Os Melhores Anos de Nossas Vidas", de William Wyler, 1946 - Após a Segunda Guerra, três veteranos retornam para sua pequena cidade natal para retomarem suas vidas. O recomeço, no entanto, nem sempre será fácil.




Premiado com sete Oscares, incluindo de Melhor Filme e Melhor Diretor, a obra retrata a história de três veteranos que retornam para a fictícia cidade de Boone City após a Segunda Guerra: o sargento Al Stephenson, que retorna para sua esposa e seus dois filhos e para seu seguro emprego em um banco; o capitão da aeronáutica Fred Derry, que volta para uma recém esposa que mal conhece e sem nenhum trabalho à vista; e o marinheiro Homer Parish, que, tendo perdido suas duas mãos no conflito, teme rever sua família e mais ainda sua noiva. Os três veteranos conhecem-se num avião de carreira no retorno para casa e dali surge uma forte amizade entre os três. O roteiro se desenvolve bastante bem, apesar de muito previsível, seguindo o que se esperava de um edificante filme pós-guerra de Hollywood: ainda que os personagens enfrentem dificuldades, tudo é muito aliviado e romantizado, praticamente não existem traumas de guerra, todo mundo está relativamente bem resolvido e o desfecho não poderia ser melhor. Nada que se pareça minimamente com outros filmes sobre os traumas dos pós-guerras, como "Amargo Regresso" (1978), "Nascido em Quatro de Julho" (1989) e o fantástico porém atormentado, "Johnny Vai à Guerra" (1971). O único arco que trabalha com um pouco mais de veracidade a questão dos traumas de guerra é o do personagem Homer - afinal perder ambas as mãos não poderia ser tratado sem uma carga forte de dor e drama. Ainda assim, tudo é tão "aliviado" que boa parte da história gira em torno do romance entre os personagens e suas caras-metades. Logo, não espere um drama pesado, rasgado - existem cenas dramáticas, mas a atmosfera geral é leve e agradável. Tudo é extremamente bem feito, mas com uma linguagem cinematográfica bem padrão, sem ousadias, esquema indústria, nada autoral. Uma coisa que me chamou a atenção e que sai um pouco da curva foi o uso, por algumas vezes, de profundidade de campo para mostrar duas ações diferentes em uma mesma cena; num primeiro plano, uma ação de importância secundária e, no segundo plano, a ação que realmente importa. No elenco, Fredric March como Al Stephenson, no papel que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator, bem merecido; Dana Andrews como Fred Derry, bem, mas nada de especial; Myrna Loy, lindíssima e distinta como poucas atrizes, como Milly; Teresa Wright como Peggy; Cathy O'Donnell como Wilma e Virginia Mayo como Marie. Mas falta o ator que interpretou Homer Parrish! Exato. Este merece um aparte. O personagem Homer foi interpretado pelo real veterano da Segunda Guerra Harold Russell. Ele não era ator e realmente perdeu as mãos na guerra. Sua interpretação foi tão sensível e verdadeira, tão emocionante e, ao mesmo tempo triste, que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, um feito incrível para um não-ator. A obra também ganhou Oscares de Melhor Edição, Roteiro Adaptado e Trilha Sonora. É um ótimo filme, me prendeu ao longo de suas quase três horas e eu gostei demais. Recomendo sem qualquer dúvida.

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