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“Os Observadores”, de Ishana Night Shyamalan, 2024

  • hikafigueiredo
  • há 3 dias
  • 3 min de leitura

Filme do dia (04/2026) – “Os Observadores”, de Ishana Night Shyamalan, 2024 – Mina (Dakota Fanning) é uma desenhista de 28 anos que, por um trauma do passado, se afasta da irmã gêmea, isolando-se em uma pequena cidade da Irlanda. Seu trabalho em uma loja de animais a leva a uma viagem por uma afastada floresta do oeste do país. Quando seu carro quebra em meio à estrada que corta a floresta, Mina se vê obrigada a enveredar pela mata, chegando a um estranho “bunker” onde ela ficará presa junto com outras três pessoas e descobrirá um terrível segredo daquele local.


 

Escrito e dirigido por Ishana Night Shyamalan, filha do diretor M. Night Shyamalan, o filme revela uma influência não exatamente positiva do pai no estilo da jovem diretora. É triste afirmar isso, mas a obra em questão traz exatamente os mesmos erros e acertos da filmografia do renomado diretor. Não estou, aqui, falando do melhor da filmografia de M. Night Shyamalan, o qual acertou em cheio em filmes como “Sexto Sentido” (1999), “Corpo Fechado” (2000), “Sinais” (2002), “A Visita” (2015) e “Fragmentado” (2016). Não, Ishana, infelizmente, seguiu pelos caminhos tortuosos dos piores filmes do pai, como o fraquíssimo “Fim dos Tempos” (2008) ou o detestável “Tempo” (2021). Em “Os Observadores”, a diretora mostra habilidade em criar uma situação de tensão e mistério quando a protagonista Mina chega ao bunker escondido no meio da floresta e precisa se abrigar nele junto com três desconhecidos. A personagem é obrigada a seguir regras e um estranho ritual de exposição que aumentam o suspense e instigam o espectador. Ocorre que Ishana cria a situação, mas, depois, não consegue sair dela e as tentativas de trazer explicações acerca daquela circunstância acabam por se revelarem confusas e pífias. No intuito de justificar os acontecimentos, a diretora adentra por lendas locais, figuras mitológicas e até mesmo criaturas advindas de outros universos ficcionais, subvertendo completamente o significado original deles, tudo para tentar trazer conteúdo à história – e falha miseravelmente em seu objetivo. Tentando seguir pelo caminho do “folk horror”, o filme, ao invés de enriquecer a trama, esvazia o folclore relacionado e evidencia a inconsistência da obra. Eu gosto de chamar esse tipo de tentativa desesperada por explicação de “efeito Lost”, numa referência à série de 2004-2010 que protagonizou uma das maiores rejeições de público da qual tenho notícia. Como na série mencionada, a diretora traz um arremedo de justificativa para dar conta de tudo aquilo que criou no começo da obra e o resultado é insatisfatório, para não dizer constrangedor. Na minha humilde opinião, melhor seria deixar sem explicação mesmo e apostar todas as fichas nessa habilidade em criar atmosfera e ponto final (que é mais ou menos o que filmes como “O Incidente” (2014), “Vivarium” (2019) e mesmo “Coherence” (2013) fazem e está tudo bem). Tecnicamente, o filme é caprichado, super bem-feito, fotografia ótima, desenho de produção excelente, efeitos especiais satisfatórios e qualidade de som dentro do padrão Hollywood. Quanto às interpretações, Dakota Fanning – que eu considero uma senhora atriz – tenta imprimir alguma profundidade à protagonista, mas tenho a sensação de que o roteiro não colaborou muito e o resultado ficou aquém do potencial da intérprete. Por outro lado, gostei bastante do trabalho de Olwen Fouéré como Madeline – a atriz irlandesa conseguiu imprimir muita densidade à interpretação, legando autoridade, sobriedade e rigor à personagem. O quadro de elenco ainda traz Georgina Campbell como Ciara, Oliver Finnegan como Daniel, John Lynch como Professor Kilmartin e Alistair Brammer como John (destes quem me convenceu melhor foi Finnegan como o jovem e rebelde Daniel). O filme, para mim, é inconsistente e irregular e mesmo o ótimo trabalho de criação de atmosfera cai diante do roteiro fraco. Talvez a diretora se saísse melhor apenas dirigindo e deixando de lado o roteiro, não sei, teremos de esperar os próximos trabalhos. Não indico não, tem muita coisa melhor por aí. Assistido na Netflix.

 
 
 

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