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“Sonhos de Trem”, de Clint Bentley, 2025

  • hikafigueiredo
  • há 1 minuto
  • 3 min de leitura

Filme do dia (03/2026) – “Sonhos de Trem”, de Clint Bentley, 2025 – Início do século XX, Idaho. Robert Grainier (Joel Edgerton) é um lenhador que trabalha distante de sua esposa Gladys (Felicity Jones), acompanhando a construção de estradas ferroviárias em direção ao oeste estadunidense. Ao longo de 80 anos, Grainier vivenciará encontros e perdas em busca de algum sentido para a sua vida.

 


O filme, que transita entre um drama histórico e existencial, é uma adaptação da novela homônima de Denis Johnson e acompanha 80 anos do personagem Robert Grainier, um homem silencioso e introspectivo, que, ao longo de sua vida, sempre buscou um sentido para sua existência. Órfão, Robert teve de lidar, desde muito cedo, com perdas e com uma certa ausência de conexão com o mundo. Ainda jovem, Robert conhece Gladys, por quem se apaixona e com quem casa. O trabalho, no entanto, o mantinha longe de quem mais amava, além de fazê-lo vivenciar diversas situações dolorosas, como a morte de amigos, os substitutos de sua família naquela região distante. O filme – extremamente sensorial – discorre sobre solidão, encontros, perdas, resiliência, amizade, empatia e mais inúmeros sentimentos que envolvem a busca por um significado para as coisas que acontecem em uma vida. O personagem Robert demonstra possuir um enorme vazio existencial, o qual se aprofunda a cada nova perda vivenciada pelo protagonista. Apesar disso, Robert segue à procura da compreensão do intangível, algo que trouxesse algum sentido às suas vivências e que o ligasse ao todo, representado, em parte, pela natureza. Os questionamentos do protagonista são transmitidos não apenas pelos sentimentos que a obra desperta, mas, também, através da narração em terceira pessoa, que a todo momento relembra das questões internas do personagem. O filme, sensível, introspectivo e bastante silencioso, despertou questões existenciais racionais, mas, de uma maneira muito mais profunda, trouxe sensações não muito agradáveis, como angústia, sentimentos de solidão e desconexão e uma tristeza bastante sólida. Não sei nem explicar, mas a obra também trata da beleza da vida, daqueles momentos únicos, dos afetos profundos, das alegrias fugazes, das coisas que trazem algum brilho à nossa rápida passagem por este plano. Quando o filme termina, o que resta é um calorzinho aqui do lado esquerdo do peito e a sensação de termos tido um vislumbre do que significa a vida. Nesse sentido, encontro um diálogo muito denso entre a obra e meu filme predileto no mundo, o irretocável “Beleza Americana” (1999). Adianto que é um filme bastante lento, `contemplativo, que lembra os filmes europeus e que talvez não agrade quem está acostumado a muita correria. Os destaques ficam por conta do desenho de produção, que aproveita demais a beleza cênica natural das florestas da região, e da fotografia excepcional do brasileiro Adolpho Veloso que se vale dos contrastes de claros e escuros proporcionados pela iluminação natural, com muitas cenas em contraluz. Quanto às interpretações, temos um Joel Edgerton inspirado, que consegue imprimir uma densidade incomum ao protagonista valendo-se tão somente de expressões faciais e linguagem corporal sutis, uma vez que o personagem é, o tempo inteiro, contido e de poucas palavras. Felicity Jones, por sua vez, traz o contraponto na personagem Gladys – sorridente e luminosa, ela parece ser tudo aquilo que Robert não aparenta ser. No elenco, ainda, Kerry Condon como Claire Tompson, William H. Macy como Arn, Nathaniel Arcand como Ignatius Jack, John Diehl como Billy, dentre outros. O filme foi agraciado com o prêmio de Melhor Fotografia no Critics’ Choice Awards (2026) e foi indicado a quatro categorias no Oscar (2026) – Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Canção e Melhor Fotografia, com sérias chances para Adolpho Veloso (lá vamos nós torcer de novo!!!!) O filme é sensacional, estou apaixonada por ele. Aconselho muito e está na grade da Netflix.

 
 
 

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