• hikafigueiredo

"Os Oito Odiados", de Quentin Tarantino, 2015

Filme do dia (71/2016) - "Os Oito Odiados", de Quentin Tarantino, 2015 - O oficial John Ruth (Kurt Russell) conduz a assassina Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh) em direção à cidade de Red Rock, onde será enforcada. No caminho, encontra e recolhe em sua diligência, o major Marquis Warren (Samuel L. Jackson) e Chris Mannix (Walton Goggins), que alega ser o novo xerife de Red Rock. O grupo, fugindo de uma nevasca, é obrigado a buscar abrigo no Armazém da Minnie, onde encontrarão quatro desconhecidos que também buscaram abrigo no local. Mas Ruth desconfia que algum deles está ali para resgatar Daisy...





O oitavo filme do diretor Quentin Tarantino só confirma, mais uma vez, o seu talento. A obra começa um pouco arrastada, demora um pouco para as coisas acontecerem , mas entendo que este início é necessário para estabelecer quem é quem na história. Quando todos se encontram no armazém, o diretor consegue, com maestria, montar o "xadrez" - quais são as verdadeiras intenções de cada um dos personagens? Quem estão aliados, quem são opositores eventuais, quem são inimigos declarados? A tensão cresce e o espectador se vê envolto numa trama menos complexa do que aparenta. Como todo filme do diretor, temos monólogos e diálogos preciosos, muito reveladores. Tarantino, ainda, mais uma vez, comprova total domínio de cena - os personagens, espalhados pelo galpão, triangulam diálogos (e não só diálogos) de um jeito que é incrível o diretor não se perder e quebrar o eixo - e não, isso não acontece, e o espectador consegue entender, mais ou menos, a disposição de cada personagem naquele espaço (a cena, inclusive, lembra bastante a triangulação usada em "Cães de Aluguel"). O final, apoteótico, é regado a muito sangue, como era de se esperar, com um toque gore. Tecnicamente, o filme é mais que perfeito. As belas fotografia e direção de arte compõe um conjunto imagético rico. A montagem, aliada ao jogo de cena já mencionado,constrói o espaço e é responsável por boa parte da tensão e suspense do filme. A música de Ennio Morricone pontua, com excelência, a obra (como esse homem ainda não tinha um Oscar???? Ele é genial!). Tarantino, ainda, é um diretor de atores exemplar e consegue extrair atuações excepcionais até de quem não é tão bom ator (imagine de quem já é). Kurt Russell está muito bem... Jennifer Jason Leigh está monstruosa no papel de Daisy... mas quem rouba a cena, mesmo, é Samuel L. Jackson. Ainda temos em cena ótimos Michael Madsen, Tim Roth, Walton Goggins, Demien Bichir e Bruce Dern (maravilhoso como o General Smithers). O filme, enfim, é ótimo, mesmo sendo um dos que eu menos gostei do diretor (acredite se quiser... eu teci todos os elogios do mundo, mas gosto muito mais de outros filmes do diretor). Vale demais pelo talento de todos os envolvidos e recomendo com louvor.

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