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  • hikafigueiredo

“Os Rejeitados”, de Alexander Payne, 2023

Filme do dia (08/2024) – “Os Rejeitados”, de Alexander Payne, 2023 – EUA, 1970. Em um internato para rapazes, durante o recesso de Natal e Ano Novo, todos os alunos são enviados para casa, com exceção de Angus (Dominic Sessa), o qual acaba sob a supervisão do professor Paul Hunham (Paul Giamatti), detestado por todos. Professor e aluno terão de aprender a conviver, contando com a ajuda de Mary (Da’Vine Joy Randolph), a cozinheira-chefe da escola.




 

Apesar de estar sendo considerada como uma comédia, a obra é um drama leve com alguns (ótimos) alívios cômicos. O filme, muito mais sério e profundo do que possa parecer em um primeiro momento, vai discorrer sobre privilégios, sobre diferenças de oportunidades, sobre a falácia da meritocracia e sobre o quase certo destino de quem não é abençoado por um bom “pedigree” e uma conta bancária polpuda, mas, também e como contrapartida, tratará de empatia, relações de afeto e confiança, respeito pela história alheia e o equívoco de se fazer julgamentos precipitados acerca de pessoas e situações. A narrativa foca em três personagens – Angus, um aluno problema; Paul, um professor rabugento e detestado por todos; e Mary, uma funcionária da escola em luto pelo falecimento de seu único filho na Guerra do Vietnã. Se aparentemente eles não têm nada em comum – o que é ressaltado pela comunicação truncada entre o trio, em especial entre Angus e Paul -, a convivência mostrará mais afinidades do que o esperado e estranhos laços acabarão por se estabelecer entre os envolvidos. A narrativa é linear, em ritmo marcado e constante. A atmosfera leve e divertida é quebrada algumas tantas vezes por questões sérias colocadas de maneira respeitosa, mas contundente. O roteiro tem uma fluência rara, mesclando, com sucesso admirável, momentos sensíveis e com outros mais secos ou escrachados. A fotografia em tons quentes traz certo aconchego às cenas. O desenho de produção de época está muito bem posto, seja pelo figurino setentista (lembrando de que se trata de um internato para garotos, logo, coloca-se de lado a exuberância da roupa dos jovens da contracultura e se abraça uma vestimenta sóbria e convencional), seja pela maquiagem e cabelos típicos da época ou pelos objetos de cena, tais como carros e telefones fixos. No que tange às interpretações, temos uma dobradinha irrepreensível do magnífico Paul Giamatti (eu o acho um ator sensacional, pouco prestigiado apenas por não ter aparência de galã... hunf) com a incrível Da’Vine Joy Randolph (que eu não conhecia... e ela é fantástica!!!!). Não foi à toa que ambos ganharam o Globo de Ouro (2024) em suas categorias (Melhor Ator em Comédia e Melhor Atriz Coadjuvante). Quanto a Dominic Sessa, ainda que precisa comer muito arroz com feijão para se igualar aos colegas de elenco, não fez feio não como Angus e confesso que foram cenas em que ele aparecia que me deixaram mais tocada. No elenco, ainda, Carrie Preston como Lydia e Brady Hepner como Kountze. O filme é sensível, doce e tocante, mesmo com algumas cenas hilárias lá pelo meio dele. Eu gostei demais e recomendo muito. Atualmente no cinema.

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