• hikafigueiredo

"Polyester", de John Waters, 1981

Filme do dia (136/2020) - "Polyester", de John Waters, 1981 - Francine Fishpaw (Divine) é uma dona de casa que possui uma família disfuncional: seu marido a trai, sua filha rebelde está grávida e quer fazer um aborto e seu filho tem uma condição psiquiátrica e faz uso de drogas. Diante de tantos problemas, Francine só tem sua amiga Cuddles (Edith Massey) para lhe apoiar.




Nessa comédia trashíssima, Waters destrói a ideia de família feliz, funcional e equilibrada que compõe o "sonho americano". Mais uma vez, o diretor critica, com muita irreverência, o "american way of life", a hipocrisia da sociedade norte-americana e até mesmo os padrões estéticos vigentes (ele junta, como poucos, pessoas completamente fora dos padrões de beleza convencionais). Na história, tirando as personagens Francine e Cuddles, ambas bastante inocentes, todos os demais são extremamente cruéis, egoístas, desonestos, dentre outros adjetivos pouco desejáveis. Apesar de ser uma comédia, é uma comicidade ácida, repleta de crueldade, faz a gente ficar com pena da protagonista que só se ferra. O roteiro é bem linear, quadradinho, convencional, e o ritmo é constante. A estética segue a paixão do diretor pelos anos 50, ainda que a história se passe, no máximo, no final da década de 70 - nesse sentido, destaque para as casas, móveis e vestuário, tudo bem cinquentista. Temos, aqui, algumas cenas de câmera na mão, de forma que a fotografia é um pouco mais ousada que dos filmes "Cry Baby" (1990) e "Mamãe é de Morte" (1994) - mas nada assim muuuuito diferente. Mais uma vez, as interpretações são super teatrais, completamente over, assim como os acontecimentos - e é aqui que o filme se revela realmente trash. Divine, principal queridinha do diretor, está divina (com o perdão do trocadilho) como a protagonista sofredora nos moldes dos novelões mexicanos, e ela não faz por menos: ajoelha, rola no chão, desespera-se por tudo, chora aos borbotões, desmanchando a maquiagem, deixando-a com cara de panda, os olhos envoltos de rímel borrado. É muito dramalhão e, por isso mesmo, é muito cômico. Todos os demais atores e atrizes da história seguem essa linha exagerada, mas nenhum atinge a magnitude de Divine. Ah, se você gosta dessa linha "trash com fundo crítico", você vai gostar do filme, pode ir na fé. Agora, se você prefere mesmo filmes convencionais padrão Hollywood, nem arrisca, você vai detestar....

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