• hikafigueiredo

"Portal do Inferno", de Teinosuke Kinugasa, 1953

Filme do dia (43/2016) - "Portal do Inferno", de Teinosuke Kinugasa, 1953 - 1159, Japão. Durante uma revolta contra o imperador, o samurai Moritoh conhece Kesa, uma dama da corte que se faz passar pela irmã do imperador para ludibriar os revoltosos. O guerreiro salva a vida da jovem e por ela se apaixona. Após a supressão da revolta, o imperador oferece um desejo a cada um de seus aliados. Moritoh solicita, então, que Kesa case-se com ele. No entanto, acaba por descobrir que a amada já é casada com um outro samurai, de linhagem mais nobre, o que deixa Moritoh transtornado.





Eis uma interessante história sobre obsessão, loucura, amor e violência. Impossível não assistir o filme com olhos contemporâneos, em um momento em que se fala de assédio e violência contra a mulher. Apesar de Moritoh acreditar que ama Kesa, esta é vítima da obsessão do samurai e sofre diversas violências por parte do pretendente, ilustrando de maneira significativa aquelas discussões tão atuais. O roteiro é linear e torna-se um pouco previsível do meio para o fim, mas acredito que, na época, tenha sido um pouco mais surpreendente. A direção de arte e a fotografia do filme são excepcionais, com destaque para o figurino, que, inclusive, ganhou Oscar nessa categoria. O filme é extremamente colorido, com destaque para as cores vermelha, amarela e roxa. Muitas cenas parecem verdadeiras pinturas e os enquadramentos são, em alguns momentos, bastante sofisticados. As atuações seguem a tradição japonesa, parecendo não muito naturais aos olhos ocidentais (mas combinando perfeitamente com o contexto geral do filme). Incrível a aparência da atriz que interpreta Kesa (Machiko Kyô) que transfere para a tela as figuras femininas dos tradicionais desenhos japoneses. O filme é tão bom que ganhou o Oscar de Filme Estrangeiro e a Palma de Ouro em Cannes em 1954, mas talvez não tenha envelhecido tão bem. Ainda assim, recomendo bastante.

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