• hikafigueiredo

"Primeiro Mataram Meu Pai", de Angelina Jolie, 2017

Filme do dia (411/2020) - "Primeiro Mataram Meu Pai", de Angelina Jolie, 2017 - Camboja, 1975. O Khmer Vermelho chega ao poder. A família da pequena Loung (Sareum Srey Moch), de cinco anos, é levada da cidade para o campo, onde lutará para sobreviver sob o sanguinário regime, a fome e a guerra.





Baseado no livro autobiográfico homônimo de Loung Ung, o filme mostra um pouco do que foi a abominação do governo do Khmer Vermelho no Camboja que, em quatro anos, dizimou quase um quarto da população daquele país. A autora narra como viveu dos cinco aos nove anos sob o tirânico regime do Khmer, superando a fome, os trabalhos forçados, os treinamentos militares e o frio assassinato de seus pais. É uma obra pesada, indigesta e que nos deixa com uma indignação incontida na alma. Por outro lado, achei que o filme pegou muito leve com os EUA, o principal responsável por ter dado apoio a um governo que permitiu que as coisas chegassem num ponto que o Khmer Vermelho foi festejado por parte da população, além de ter bombardeado vilarejos e plantações, deixando a população rural na miséria e revoltada, abrindo as portas para o Khmer. Admito, também, que não consegui não sentir certo incômodo ao perceber que a família da autora fazia parte da elite privilegiada do país - não que eles merecessem o Khmer, pois ninguém merece um governo sanguinário, mas saber que o pai da autora era um militar do governo anterior ao Khmer não me ajudou a ter maior simpatia pela família em si. A narrativa segue segundo o olhar da pequena Loung e é assustador. O ritmo é marcado e a atmosfera é de tensão constante. O filme conta com uma fotografia caprichada, mas cansei um pouco das dezenas de cenas em câmera lenta, marcando as memórias da menina de um tempo passado. A garotinha que interpreta Loung é muito expressiva, muito embora tenha poucas falas ao longo da história (até porque ela era tão pequena que nem havia muito espaço para falar). Destaque para a horrível cena do campo minado - nossa, que agonia e dor desta cena... O filme é bem interessante - gosto de ver o engajamento de Angelina Jolie, que usa sua voz para denunciar crimes de guerra (como ela já havia feito em "Na Terra de Amor e Ódio", 2011, sobre a guerra na Bósnia), mas ainda acho que a diretora tem muito influência do cinema de Hollywood, que, por qualquer motivo, me deixa sempre menos tocada do que filmes mais autorais. Não é excepcional, mas acho que vale a visita.

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