“Quando a Morte Sussurra”, de Taweewat Wantha, 2023
- hikafigueiredo
- 28 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Filme do dia (74/2025) – “Quando a Morte Sussurra”, de Taweewat Wantha, 2023 – Num pequeno povoado tailandês, uma jovem garota morre de forma estranha, enquanto grita de dor e verte sangue por vários locais do corpo. Pouco tempo depois deste acontecimento, as irmãs Yad (Denise Jelilcha Kapaun), Yam (Rattanawadee Wongtong) e Yee (Nutthatcha Padovan) começam a ter estranhos pressentimentos e visões no caminho da escola para casa. Quando Yam começa a ter um comportamento diferente do seu comum, sua mãe chama Yak (Nadech Kugimiya), o irmão mais velho da menina, que estava em serviço-militar na capital, para tentar proteger a filha. Mas o que todos terão de enfrentar é um mal muito maior do que eles suspeitam.

Filme tailandês de terror sempre pode significar uma boa diversão para quem gosta do gênero. Eles, aparentemente, são cheios de lendas rurais e as ambientações em locais ermos em meio às florestas tropicais garantem, no mínimo, muito material para folk horror. A presente obra é um exemplo disso. A história tem, como ponto de partida, a horrível morte – por causa desconhecida – da jovem Nart. Após as primeiras e impactantes cenas, passamos a acompanhar uma família da mesma localidade, cujas três filhas começam a ter visões assustadoras quando voltam da escola para casa. Logo entendemos que uma das garotas – a irmã do meio, Yam – está sendo obsediada por uma entidade maligna que, gradativamente, está tomando o corpo da jovem. A família demora a perceber o caráter sobrenatural da mudança comportamental de Yam, acreditando tratar-se de alguma doença que a acomete. Mas chega o momento em que essa hipótese se torna a única possível e a família sai em busca de alguém que possa ajudá-los e consiga reverter a situação. Ainda que o roteiro, em alguns momentos, mostre-se confuso e pareça “patinar”, é certo que ele é hábil em criar uma atmosfera de apreensão e medo legítimos – impossível não se sentir desconfortável diante de acontecimentos tão perturbadores, quando, ao seu redor, só existe uma floresta vasta, escura e praticamente desabitada. Além do “climão”, é claro que temos as clássicas cenas de jumpscare – algumas funcionam, outras nem tanto, mas o fato de serem bem dosadas e não excessivas ajudam a fazer o filme “funcionar” a contento. Gostei bastante da ambientação – folk horror é meu nicho favorito dentro do gênero, então sou meio suspeita para falar – e achei a caraterização das “entidades” que surgem ao longo do filme bastante impressionantes e assustadoras (é um simples trabalho de maquiagem, mas, para mim, funcionou bem). O quesito que eu achei mais falho, por outro lado, foi a interpretação de alguns atores. Quem melhor se saiu, a meu ver, foi Rattanawadee Wongtong como Yam – a menina possuída tinha uma caracterização bem diferente da personagem do início da história e a atriz conseguiu fazer essa transformação de um modo bem gradual, sem “pulos”. Também achei bem razoável a interpretação de Denise Jelilcha Kapaun como a irmã mais velha, Yad. O mesmo não posso dizer de Nadech Kugimiya, que interpreta o irmão Yak, que embora gatíssimo, me soou forçado e meio canastrão. Concordo que o filme não é extraordinário, mas rende bons momentos de tensão e não faz feio dentro do gênero – quem curte terror deve gostar, ainda mais porque filme de terror consegue ser muito ruim quando não acerta, o que não é o caso aqui. Eu me diverti e recomendo para amantes do gênero. Fácil de assistir na Netflix.



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