• hikafigueiredo

"Querido Menino", de Felix Van Groeningen, 2018

Filme do dia (124/2019) - "Querido Menino", de Felix Van Groeningen, 2018 - O renomado jornalista David Sheff (Steve Carell) depara-se com a gigantesca dor de ter um filho dependente químico. O jovem Nic (Thimotée Chalamet), por sua vez, luta para recuperar-se do vício e, a cada recaída, afunda-se mais e mais no universo das drogas.





Existem inúmeros filmes que discorrem sobre o inferno da químiodependência. Dos que conheço, destacaria "Réquiem para um Sonho", "Trainspotting", "Eu, Chistiane F, 13 anos, Drogada e Prostituída" e "Candy". Em todos há o retrato cru da descida ao inferno dos dependentes químicos. São filmes que criam um mal estar profundo, uma agonia, um sufocamento no espectador, mesmo para quem jamais viveu de perto aquela situação. Em "Querido Menino" essa sensação dolorosa de esgotamento simplesmente não acontece... não sei se estou em um mau dia, mas a obra não me tocou em absoluto e não atingiu o nível sensorial, permanecendo, friamente, no terreno do racional. Sim, os elementos mais complicados do vício em drogas estão lá, na história: as recaídas, a falta de controle, as overdoses... mas, sei lá, a narrativa não me envolveu. Curioso é que o diretor já foi extremamente hábil em envolver o espectador em histórias bastante profundas e dolorosas - vide o excepcionalmente bom (e sofrido) "Alabama Monroe". Fato é que tive, durante o filme, uma sensação de distanciamento da história que me incomodou profundamente. Por outro lado, o filme tem o mérito de focar mais nos efeitos da dependência química nos familiares do viciado do que no próprio dependente - e esse é um enfoque bem mais raro de se ver (acho que ocorre, em parte, no filme "Traffic", uma boa obra, mas aquém daquelas que citei anteriormente). A narrativa passeia por diferentes tempos - da infância à vida adulta de Nic, com inúmeras idas e vindas - e há um certo didatismo que me cansou um pouco (e que talvez tenha sido responsável pelo tal distanciamento que mencionei). O filme, ainda, flerta bastante com o típico melodrama hollywoodiano - aquele tipo de filme que, intencionalmente, manipula o público, e que raramente "me ganha", pois percebo a manipulação e fico irritada -, o que também explica o fato de eu não ter me envolvido com a história. Sinto, muito claramente, que o diretor foi influenciado pelos produtores norte-americanos, pois perdeu toda a carga dramática e profundidade que apresentou lindamente em "Alabama Monroe". Destaque para a montagem e para a trilha sonora (a última, negativamente, como elemento de manipulação). Steve Carell está bastante bem como o jornalista David (gosto de seus papeis dramáticos, apesar de seu talento como comediante). Thimotée Chalamet foi indicado para vários prêmios por sua atuação, mas, não sei por quê, ele não me convenceu e eu o achei muito distante do talento exibido em "Me Chame pelo Seu Nome" (filme que me fez amá-lo!!!!) - okay, talvez eu esteja com má vontade, sei lá. Gostei da participação de Jack Dylan Grazer na obra como Nic pré-adolescente - aparece super pouco no filme, mas adoro esse menino desde "It". Olha... apesar de alguns méritos, o filme simplesmente não me "pegou", não houve fruição, não me apaixonou e me deixou frustrada. Por isso, aconselho cautela aos espectadores que optarem por incursionar à obra - desejo melhor sorte e envolvimento a vocês.

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