• hikafigueiredo

"Repo Man - A Onda Punk", de Alex Cox, 1984

Filme do dia (191/2021) - "Repo Man - A Onda Punk", de Alex Cox, 1984 - Otto (Emilio Estevez) é um jovem punk que trabalha recuperando carros financiados não pagos que se envolve em um estranho caso de sequestro de um alienígena.





A obra faz uma esquisitíssima mistura entre os gêneros ficção científica, ação e comédia non-sense e mantém os dois pés bem firmes no trash. Alçado a cult-movie nos anos 80, o filme traz uma história muito sem pé nem cabeça que envolve jovens punks, agentes do governo, lunáticos maníacos por OVNIS, agentes de confisco e extraterrestres e, evidentemente, não leva nada disso a sério - diria que a única graça da obra é justamente o monte de groselha reunida numa clara "tiração de sarro" dos gêneros envolvidos. Aqui e ali ainda temos algumas críticas embutidas - como o punk que se diz produto do sistema e é rebatido pelo amigo que diz que ele é só "um branquelo classe média", evidenciando sua posição privilegiada na sociedade e a balela de seu discurso, ou, ainda, a adoração dos norte-americanos por carros, mesmo que eles não possam pagá-los e mantê-los. Os diálogos são tão despropositados e ridículos que me arrancaram risos e doses cavalares de vergonha alheia. A narrativa é linear, em ritmo desenfreado, com uma pegada de comédia de erros - todos os envolvidos estão atrás de um determinado automóvel Malibu, cada um por um motivo, e o carro passa de mãos em mãos... ocorre que, no porta-malas do veículo existe um alienígena altamente radioativo, nada saudável para quem ousa abrir a porta... Os efeitos especiais são de chorar de ruins - seriam péssimos na década de 60, mas para a década de 80 são imperdoáveis e a maior prova de que tudo ali é propositalmente capenga. A atmosfera é cômica, pendendo ao puro absurdo. A trilha sonora, assinada por Iggy Pop, é o único elemento de real respeito. As interpretações são canastronas e mesmo um ator do quilate de Harry Dean Stanton se dispôs a entrar na brincadeira e se colocar em situações patéticas. O desfecho é a cereja do bolo e se alguém tinha dúvidas acerca das intenções do diretor em brincar com uma história muito abobrinha, ali vai perder essas dúvidas. Eu não vou mentir que gosto de cinema trash, mas esse filme não me ganhou - admito que tem algumas boas passagens, mas o conjunto da obra não me agradou muito não. Em todo caso, é uma obra cult, cheia de fãs ardorosos... sei lá... tenta a sorte...

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