• hikafigueiredo

"Roh (Alma)", de Emir Ezwan, 2019

Filme do dia (167/2021) - "Roh (Alma)", de Emir Ezwan, 2019 - Em meio às florestas da Malásia, uma mãe vive sozinha com seu casal de filhos. Certo dia, as crianças trazem para casa uma menina coberta de barro e faminta, a qual é acolhida pela família. Subitamente, a garota, até então muda, fala e faz uma terrível previsão. Após, estranhas coisas começam a acontecer.





Filmes de terror do Sudeste Asiático sempre me trazem boas surpresas. Seguindo o esquema de filmes como "A Bruxa" (2015), "O Lamento" (2016), "A Maldição da Bruxa" (2017) e "O Ritual" (2017), a obra aposta na dobradinha natureza e solidão, que mexe fortemente com o emocional, tanto dos personagens, quanto do espectador, e é terreno profícuo para lendas e tradições apavorantes. Na história, uma família mora afastada de qualquer contato com a civilização, vivendo, quase miseravelmente, de alguns poucos animais e daquilo que consegue da floresta. A mãe, crédula dos dizeres ancestrais, avisa para seus filhos terem cuidado com qualquer coisa que venha da floresta, devendo manter suas cabeças reverencialmente baixas quando nela entrarem. Imediatamente sabemos que vai "dar ruim" quando as crianças chegam com uma menina coberta de lama, olhos que parecem maiores que pratos e comportamento arisco. Esqueçam a Samara, de "O Chamado" (2002) - esta menina é dezenas de vezes mais assustadora! Ocorre que a menina fará uma predição maligna, a partir do que coisas terríveis e sem explicação começam a acontecer, tornando a vida da família em um pesadelo. Daí em diante é arrepio atrás de arrepio, porque o filme é extremamente hábil em criar "climão" e deixar o espectador tenso na cadeira. A obra puxa para o terror psicológico, com talvez um ou dois episódios de "jumpscare". O ritmo é bem marcado para um filme oriental, mas, para quem está acostumado a Hollywood, pode parecer um pouco lento. A obra dá algumas dicas do desfecho ao longo da narrativa - ele não me surpreendeu, porém foi um final pertinente e me deixou satisfeita. Tecnicamente, é um filme correto, mas nada de excepcional. Gostei bastante da interpretação das crianças - Mhia Farhana como a filha Along e Harith Haziq como o filho Angah, porém, quem mais marcou, foi a menininha assustadora, interpretada por Putri Qaseh. No elenco, ainda, Farah Ahmad como a mãe, June Lojong como Tok (a mulher solitária da colina) e Namron como Pemburu (o caçador). A obra é muito satisfatória como "filme para dar medo" - claro, sobram coisas nebulosas ou sem explicação, mas quem quer explicação para tudo em um filme sobre o sobrenatural? Eu me diverti e recomendo.

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