“Rose of Nevada”, de Mark Jenkin, 2025
- hikafigueiredo
- 22 de out. de 2025
- 2 min de leitura
Filme do dia (98/2025) – “Rose of Nevada”, de Mark Jenkin, 2025 – O misterioso barco “Rose of Nevada” reaparece após trinta anos desaparecido no mar. Seu antigo proprietário contrata os jovens Nick (George MacKay) e Liam (Callum Turner) para uma nova pescaria, mas, quando retornam, constatam que o barco voltou para a época de seu desaparecimento, trinta anos antes.

Ai ai... “Lost” fazendo história e criando precedentes. O filme, uma ficção científica e thriller britânico, cria toda uma situação metafísica e depois não consegue sair dela! A história discorre sobre um “barco fantasma” que reaparece após três décadas desaparecido no mar e sem qualquer sinal de sua tripulação. Ao seu antigo proprietário, parece ser uma boa ideia colocar o barco novamente na ativa, motivo pelo qual ele contrata dois jovens – Nick e Liam – para outra pescaria. Quando eles voltam do mar, eles descobrem que retrocederam no tempo e voltaram para o exato dia em que o barco desapareceu. Estranhamente, as pessoas os reconhecem como os antigos pescadores que desapareceram e mesmo Nick negando a identidade que lhe é imposta, passa a viver na comunidade, buscando uma forma de voltar para seu tempo e sua família. E o filme é isso. Não tem explicação, não formula hipóteses e nem dá solução – e, do nada, o filme acaba. Terminou a obra e eu fiquei com cara de “ué”. O silêncio na sala era ensurdecedor, acredito que todo o público ficou com a mesma frustração que eu tive. O filme, ainda, se esforça para criar uma atmosfera de tensão que não parece natural. São cenas e recortes completamente desnecessários que visam criar um suspense vago, talvez para justificar a existência da obra! Toda a construção de som é feita para criar esse “climão” – em metade da narrativa temos o som de uma batida seca e ritmada que foi me dando nos nervos e, a certa altura, eu só conseguia prestar atenção nesse som incômodo. Também temos, com frequência, um som de motor, igualmente desagradável. Até as interpretações me soaram falsas – George MacKay, que é um ator de quem gosto e acho que está em ascensão, me pareceu arrependido de aceitar o papel de Nick, inclusive por ele ser o grande fio condutor da (pouca e inacabada) história. MacKay se esforça, mas o filme e o personagem não ajudam. Callum Turner parece um pouco mais à vontade no papel de Liam, o que nem faz diferença, porque, como eu disse, tudo acaba de repente e sem qualquer desfecho, explicação ou solução. Sinceramente? Achei péssimo. Décimo terceiro filme visto na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



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