• hikafigueiredo

"Rua da Vergonha", de Kenji Mizoguchi, 1956

Filme do dia (13/2020) - "Rua da Vergonha", de Kenji Mizoguchi, 1956 - No prostíbulo "Dreamland", cinco prostitutas convivem e dividem seus dramas pessoais entre si.






Como já mencionei em outra postagem, Mizoguchi tinha especial atração pela vida das gueixas e cortesãs. Nesta obra, o diretor abandona completamente o lado folclórico da "profissão mais antiga do mundo" e mergulha, de cabeça, nos dramas daquelas mulheres que buscam, na prostituição, seu meio de vida. Acredito que este seja o filme mais pesado do diretor - mais até que "O Intendente Sansho" (1954) e "Oharu - A Vida de uma Cortesã" (1952), ambos também bem "sofridos" - pois foca na realidade das prostitutas, despindo a profissão de qualquer "glamour" que lhe pudesse creditar. É bem triste acompanhar a história das cinco personagens, todas com vidas difíceis e nenhuma oportunidade. Temos aqui a viúva que se prostituiu para criar o filho, a esposa cujo marido doente não pode ajudá-la a sustentar a família, a solteirona do interior que jamais se casou e sonha em ser uma esposa, a jovem cujo pai foi preso por estelionato e deixou a família na miséria e a moça rica que quis pagar, na mesma moeda, o pai dissoluto que fez a mãe adoecer. Mizoguchi acera em cheio ao trazer, para o espectador, os dramas pessoais daquelas mulheres, humanizando a figura das prostitutas. O resultado é incrível, muito por conta das ótimas interpretações das atrizes envolvidas, dentre as quais Ayako Wakao e Michiyo Kogure (a dupla central de "A Música de Gion", ambas fantásticas) e Machiko Kyô (de "Contos da Lua Vaga", "Rashomon" e "Portal do Inferno"). O filme é daquele tipo que incomoda por mostrar cruamente um lado feio da vida, cheio de sofrimento e luta desigual, mas, ainda assim, é uma ótima obra. Recomendadíssimo.

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