• hikafigueiredo

"Schock", de Mario Bava, 1977

Filme do dia (222/2017) - "Schock", de Mario Bava, 1977 - Após muitos anos longe, Dora (Daria Nicolodi) retorna para a casa onde viveu com seu primeiro marido, o qual se suicidou anos antes. Junto com seu segundo esposo Bruno (John Steiner) e seu filho Marco (David Colin Jr.), Dora volta a morar no imóvel. Mas, rapidamente, ela descobrirá que retornar ao lar não foi uma boa ideia.





Na última obra do mestre do terror italiano Bava, temos uma bela construção de terror psicológico, infelizmente maculado aqui e ali por algumas cenas que pendem para o "gore" e, na minha humilde opinião, desnecessárias para a boa fluidez da trama. A personagem Dora, assim que volta à sua antiga residência, passa a ser assombrada por lembranças e visões, existindo uma dúvida acerca de quão reais são tais acontecimentos ou se trata de mera descompensação psicológica da mulher. A narrativa é construída lentamente, as ocorrências fantasmagóricas acontecem, inicialmente, bem espaçadas e, pouco a pouco, o ritmo acelera. A obra consegue criar um "climão" bem legal de medo e tensão que, admito, gerou aquele incômodo esperado de um bom filme de terror - ainda que se perca um pouco ao final, quando o terror psicológico abre espaço para uma coisa mais explícita. Como acontece com frequência em obras do gênero, o filme tem alguns deslizes decorrentes de alguns exageros desnecessários, mas isso não chega a estragar o cômputo geral. De destaques positivos, temos uma montagem bem feita que auxilia na formação da tensão, o uso momentâneo da trilha sonora criando atmosfera, o roteiro bem estruturado com um "plot twist" que me surpreendeu (é comum eu não cair nas "reviravoltas" de roteiro, mas não foi o caso aqui) e algumas passagens da interpretação de Daria Nicolodi e David Colin Jr. Já como destaques negativos, temos uma fotografia lavada, esmaecida, que chegou a me incomodar, uma trilha sonora equivocada no clímax da história (vamos combinar que, por Deus, rock progressivo não combina com filme de terror!!!!), outras passagens da interpretação de Daria (devo admitir que não deve ser fácil atuar em filmes de terror, porque o limite entre a boa interpretação e o excesso é bem tênue) que, para mim, beiraram o "overreacting" e a totalidade da atuação de John Steiner (achei o ator bem fraco). No fim, balizando os pontos fortes e fracos, temos uma obra consistente, acima da média e que funciona. Não é perfeita, mas vale a pena. Acho que os amantes de filme de terror vão curtir (quem não gosta do gênero acho que pode desencanar, não é obra para todo mundo não).

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