• hikafigueiredo

"Sem Data, Sem Assinatura", de Vahid Jalilvand, 2017

Filme do dia (210/2021) - "Sem Data, Sem Assinatura", de Vahid Jalilvand, 2017 - Após se envolver em um acidente de carro e atropelar um menino, o médico Kaveh Nariman (Amir Agha'ee) insiste para que o pai da criança (Navid Mohammdzadeh) a leve para o hospital para fazer exames. O homem, no entanto, rejeita a ideia e segue seu caminho. No dia seguinte, Nariman descobre que o menino veio a óbito e se questiona se a real causa da morte foi o acidente ou uma intoxicação alimentar como atesta o laudo da autópsia.





Eu adoro o cinema iraniano. Os diretores daquele país costumam ter muita sensibilidade para tratar de temas delicados sem despencar para o melodrama, tão comum no cinema mainstream norte-americano. Também são comuns os filmes que discorrem sobre dilemas éticos, propondo novos olhares sobre questões complexas, muitas vezes tratadas por aí de forma superficial . Este é exatamente o caso da presente obra. O personagem Nariman entra em uma profunda crise diante da possibilidade de ter sido o causador da morte da criança, muito embora o laudo necroscópico ateste o contrário, principalmente porque o acontecimento do óbito evolui para uma situação ainda muito mais complicada e dramática em função da indignação do pai do menino (sem spoilers), que quer justiça. A narrativa discorre sobre temas como responsabilidade, empatia, ética e justiça e expõe a complexidade das relações e interações humanas. É uma obra sensível,. muito tocante. O personagem Nariman mostra-se um homem extremamente empático, generoso e acolhedor, mais até que ético. A narrativa é linear, em ritmo moderado e agradável. Os acontecimentos evoluem como uma bola de neve, o que me remeteu aos filmes de Asghar Farhadi, em especial à obra "A Separação" (2011). A atmosfera é um tanto angustiante - a dúvida que grassa para o médico, também incomoda o espectador. Tecnicamente, é um filme impecável - ótima fotografia, trilha sonora bem colocada (sem aquela manipulação que eu detesto), boa edição. As interpretações são excelentes, com destaque para Amir Agha'ee como o perturbado médico, Navid Mohammdzadeh como o desesperado pai do menino e Zakieh Behbahani, como a mãe do garoto falecido. Olha... filmão, hein. Vale cada minuto. Recomendo.

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