• hikafigueiredo

"Senhores do Crime", de David Cronenberg, 2007

Filme do dia (223/2020) - "Senhores do Crime", de David Cronenberg, 2007 - Anna (Naomi Watts) é uma parteira em Londres que, após a morte de uma parturiente russa, sai em busca da família da bebê órfã. O que ela não sabe é que se envolverá com uma perigosa família da máfia russa.





Raramente assisto a filmes de máfia, policiais e similares, acho todos meio parecidos. Mas, eventualmente, arrisco uma visita e, às vezes, encontro algum que sai fora da curva, como, por exemplo, as obras de Scorcese ou a trilogia de Coppola. Ainda que não se equipare aos melhores do gênero, como os já mencionados, "Senhores do Crime" é um filme que se destaca dentre o mar de semelhantes e que vale a visita. Começa por ser bastante bem encaminhado e produzido, conduzido por um diretor um pouco irregular, mas que tem alguns ótimos momentos, e que, aqui, acertou a mão ao narrar uma história sobre a máfia russa em seu braço inglês. Como quase todos os filmes do gênero, a obra é bastante literal, isto é, não exige grandes elucubrações ou interpretações. É, por outro lado, um entretenimento de qualidade, que prende o espectador, com direito a plot twist e desfecho convincente. Ainda que tenha momentos de tensão, não considero a atmosfera, como um todo, tensa - não me deixou crispada na cadeira como outros filmes. A narrativa segue tempo linear, tem ritmo intenso e flui bem, sem nós pelo caminho. Boa parte da força do filme encontra-se nas interpretações do trio principal, todos ótimos profissionais. Naomi Watts consegue passar bem o caldeirão de emoções da personagem Anna - se por um lado esta encontra-se indignada com os acontecimentos envolvendo sua paciente, por outro percebe que corre sério risco, assim como seu familiares e a pequena órfã; Viggo Mortensen, mais lindo do que nunca como Nikolai, convence como um dos integrantes do submundo da máfia russa - frio, controlado e calculista, ele protege o filho do chefão local; Vincent Cassel, outro ator que eu amo, oferece nuances interessantes ao personagem Kirill, o tal filho do cabeça da família - ainda que violento e asqueroso, ele pode surpreender o espectador em alguns momentos. O elenco principal completa-se com Armin Mueller-Stahl como Semyon, o patriarca da família, numa ótima performance. Viggo Mortensen foi indicado para a maioria dos prêmios de Melhor Ator por sua interpretação (Oscar, Bafta, Globo de Ouro e Critics Choice Awards), a demonstrar seu bom trabalho, ainda que não tenha saído vencedor. A obra é bem bacana, com certeza quem gosta do gênero vai adorar e quem não curte muito - como no meu caso - vai sair surpreendido e satisfeito. Eu recomendo.

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