• hikafigueiredo

"Senhorita Oyu", de Kenji Mizoguchi, 1951

Filme do dia (122/2019) - "Senhorita Oyu", de Kenji Mizoguchi, 1951 - O jovem Shinosuke(Yuji Hori) está em busca de uma esposa. No dia em que ele conheceria a pretendente Shizu (Nobuko Otowa), ele primeiro se depara com a bela Oyu (Kinuyo Tanaka), cunhada de Shizu, e por ela se apaixona. O casamento entre Shinosuke e Shizu, no entanto, acontece e assim se estabelece um sofrido triângulo amoroso.





Mizoguchi era, evidentemente, chegado em um dramalhão. Entretanto, suas obras, mesmo sendo extremamente dramáticas, guardam um requinte e uma discrição raramente encontrados em outros filmes. O sofrimento e a dor existentes nas obras são contidos e seus personagens jamais perdem a compostura. Em "Senhorita Oyu" temos uma pequena mostra da rigidez social do Japão, onde as relações sociais são engessadas e os papeis assumidos pelos indivíduos são inflexíveis, quase imutáveis. A personagem Oyu, ainda que viúva, tem responsabilidades para com a família do falecido marido que a impedem de ser livre e assumir novo relacionamento. Diante da impossibilidade de relacionamento de Shinosuke com Oyu, Shizu assume, para si, a responsabilidade de fazer a ponte entre os enamorados, ainda que isto lhe cause grande dor e constrangimento. O comportamento de todos os envolvidos, apesar do sofrimento que vivenciam, é sempre elegante e contido, sendo inaceitável qualquer demonstração excessiva de emoções. Essa "contenção" dos personagens, típico da cultura japonesa, gerou, em mim, certo desconforto, pois tinha a sensação de que eles estavam "se afogando" em seus sentimentos represados (possivelmente esta é a percepção de uma latina, cuja tendência é se expressar de maneira bem mais bombástica!). Por outro lado, as condutas éticas, compromissadas, leais e altruístas dos personagens me despertaram admiração. A narrativa mostra, ainda, um verdadeiro exercício de resiliência e resignação ante ao inevitável, vivenciado por todos os vértices do triângulo amoroso que se estabelece. Formalmente, o filme é bem tradicional, em tempo cronológico e ritmo pausado. Já tendo assistido a Kinuyo Tanaka no ótimo "Oharu; A Vida de uma Cortesã", onde todo seu talento foi posto à mostra, acho que aqui o papel exigiu bem menos da atriz - ainda assim, ela esteve bastante bem como Oyu. Eu até gostei do filme, mas acho que ele está aquém de várias outras obras do diretor - o que quer dizer pouco, já que Mizoguchi era um diretor bem acima da média e tudo o que ele fazia era extremamente bom. Recomendo.

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