• hikafigueiredo

"Senhoritas em Uniforme", de Leontine Sagan, 1931

Filme do dia (52/2022) - "Senhoritas em Uniforme", de Leontine Sagan, 1931 - A jovem Manuela (Hertha Thiele), órfã de mãe, é enviada para um internato feminino por sua tia. No local, ela conhece a professora von Bernburg (Dorothea Wieck), por quem rapidamente se apaixona, para escândalo da diretora.





Considerado umas das primeiras obras do cinema de temática lésbica, o filme retrata o relacionamento da adolescente Manuela com a professora Bernburg, queridinha de todas as alunas do internato por sua postura afetuosa e acolhedora para com as meninas. A história se passa durante a República de Weimar, período de crise política e econômica na Alemanha, o que é retratado através da quase penúria que as meninas passavam no internato. Vivendo sob uma rígida disciplina militar, as alunas não encontravam válvulas de escape para suas questões internas e carências e a única que parecia olhar para elas com alguma empatia era a professora Bernburg. Manuela, mais sensível e carente que as demais, apaixona-se pela professora assim que recebe dela alguma atenção. Para os moldes de hoje, a relação que é mostrada entre a aluna e a preceptora beira a ingenuidade, podendo ser confundida com uma relação fraterna de uma menina órfã por uma mulher mais velha em substituição à mãe ausente, logicamente por conta do moralismo existente na época. Em outras palavras, o que é exposto é muito pouco explícito e, se não fosse pelo texto, talvez o público de hoje nem atinasse tratar-se de uma amor lésbico. De qualquer forma, mesmo com cenas sutis, a obra tem o mérito de tocar numa temática polêmica sem fazer qualquer julgamento moral. A narrativa é linear, em um ritmo lento e com cenas por vezes meio desconectadas entre si. O desenvolvimento da história, na minha opinião, é um pouco truncado e o término muito abrupto (sinceramente, a impressão que eu tive é que os autores não sabiam bem como terminar, então colocaram um ponto final quase aleatório). Achei bem interessante o fato de o filme ser composto por um elenco exclusivamente feminino - não me lembro de nenhum outro filme assim, pois não aparece nenhum homem nem mesmo como figurante. Nos papeis principais, temos Hertha Thiele como Manuela, numa interpretação bastante boa como a aluna desesperada por afeto, e Dorothea Wieck como Fraulein von Bernburg - achei a atriz um pouco inexpressiva, mas entendo que, na época, as interpretações fugiam do naturalismo, além da atriz interpretar uma professora num rígido internato para garotas, de forma que talvez a postura dela fosse a esperada para o cargo. Para mim, o maior mérito do filme é dar visibilidade à temática LGBTQIA+ num período em que isso era tratado como escândalo e ainda fazer isso com clara simpatia à questão. Achei simpático, mas recomendo mais para quem tem interesse especial no tema.

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