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  • hikafigueiredo

“Shayda”, de Noora Niasari, 2023

Filme do dia (139/2023) – “Shayda”, de Noora Niasari, 2023 – Shayda (Zar Amir Ebrahimi) é uma imigrante iraniana que vai para a Austrália com seu marido Houssein (Osamah Sami) e a filha Mona para estudar no país. O casamento se esgota e Shayda se separa de Houssein após sofrer violências por parte dele. Escondida em uma casa de acolhimento para mulheres vítima de violência doméstica, Shayda teme pedir o divórcio e perder a guarda da filha, conforme as leis iranianas.





Baseado nas memórias de infância da diretora, o filme vai apresentar um tema importantíssimo – os percalços que as mulheres passam na tentativa de se desvencilhar de relações domésticas abusivas e maridos violentos. Bastante realista no que se refere à toxicidade apresentada pelo ex-companheiro da protagonista, a obra faz um recorte do cotidiano da personagem Shayda ao longo de tempo em que esteve em litígio com seu ex-marido. O filme é bem interessante por retratar abusos sutis que, muito repentinamente, podem virar grandes violências, inclusive com risco de morte para a vítima. Também achei interessante a maneira capciosa com que o personagem Houssein interage com a filha pequena – ele a adula e chantageia buscando informações sobre a ex-esposa, usa-a para infligir culpa ou castigos em Shayda e finge-se de bom pai para a Justiça e os assistentes sociais, exatamente como acontece na vida real. Existem ótimas e representativas cenas sobre relacionamentos tóxicos, mas a obra peca no encadeamento de tais cenas, sendo este o grande problema do filme. Em outras palavras, os acontecimentos são erráticos e parecem não se conectar uns aos outros, dando a sensação de terem sido jogados aleatoriamente ao longo da narrativa – falta um corpo sólido à narrativa, muito embora cada parte seja interessante e tenha relevância. A narrativa é não-linear, muito embora em boa parte da história o tempo cronológico seja respeitado. A atmosfera é de incômodo e alguma tensão – outras obras sobre o mesmo tema pegaram mais pesado de forma que seu clima beirava o terror, mas não é caso aqui. Formalmente é um filme convencional, sem destaque para quesitos técnicos. A interpretação de Zar Amir Ebrahimi como Shayda mostrou-se equilibrada, sem excessos, trazendo verossimilhança à personagem. Osamah Sami também traz uma interpretação sólida como o abusivo Houssein. A obra abre espaço para uma discussão muito importante e válida sobre as relações domésticas, mas deixou a desejar como cinema – a ideia poderia ter sido melhor aproveitada. Filme razoável, recomendo para quem tem especial interesse no tema.

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