• hikafigueiredo

"Sonhos Alucinantes", de John D. Hancock, 1971

Filme do dia (166/2021) - "Sonhos Alucinantes", de John D. Hancock, 1971 - Recém saída de um hospício, Jessica (Zohra Lampert) muda-se para uma casa do interior com seu marido Duncan (Barton Heyman) e o amigo Woody (Kevin O'Connor). Na casa, encontram a estranha Emily (Mariclare Costello) e descobrem a má fama do imóvel. Quando estranhas coisas começam a acontecer, Jessica põe em dúvida a sua sanidade.





Dialogando com obras como "Carnaval de Almas" (1962), Desafio do Além" (1963) e "Os Inocentes" (1961), o filme brinca com a interface entre o sobrenatural e a loucura. Tendo, como ponto de vista narrativo, o olhar da personagem Jessica - a qual esteve por seis meses internada por conta de suas visões e delírios -, o espectador se vê livre para escolher a sua interpretação: Jessica está realmente passando por uma experiência sobrenatural ou tudo não passa de fantasias de uma mente doentia? Ao longo da história, Jessica luta constantemente contra si própria, questionando-se acerca de suas experiências - isto está acontecendo ou é apenas imaginação? O filme não te dá uma resposta fechada e o espectador se vê envolto nas mesmas questões que a personagem. Independente de qualquer coisa, a obra tem uma atmosfera sombria, angustiante e claustrofóbica e funciona muito bem no aspecto de "criar climão". A narrativa é circular e se inicia moderada, ganhando ritmo à medida em que avançamos na história. Como boa parte dos filmes da década de 70, a fotografia é meio lavada, meio "embotada", algo que me incomoda bastante nas obras daquela época. O filme traz interpretações convincentes, com destaque para Zohra Lampert como transtornada Jessica e Mariclare Costello como a enigmática Emily (engraçado que eu, desde o primeiro momento, desgostei da personagem, o que pode ter sido pura influência do "olhar" de Jessica, que não se sentia segura na presença da moça). O filme é ótimo para quem digere bem os finais "faça-você-mesmo", que é o meu caso. Quem gosta de tudo muito bem explicado, provavelmente não vai curtir muito não. Eu gostei da sensação de pesadelo reinante e recomendo.

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