“Terra Devastada”, de Frederico Machado, 2025
- hikafigueiredo
- 28 de out. de 2025
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Filme do dia (113/2025) – “Terra Devastada”, de Frederico Machado, 2025 – Anos depois de presenciar os assassinatos de seus pais, José (Bruno Goya) retorna para o lugar onde tudo aconteceu, na expectativa de se vingar de Antônio (Buda Lira), latifundiário, e seus capangas, Chico (Auro Juriciê) e Romão (Walter Sá), responsáveis pelas mortes.

A obra, representante do cinema maranhense, se esforça para contar a história de injustiça e vingança do personagem José em meio à total falta de lei do sertão, e, embora tenha méritos, escorrega um pouco no resultado. O western em questão se inicia no exato momento em que Antônio, o latifundiário da região, faz uma visita pouco amistosa aos pais de José. Escondido sob a mesa, José vê Antônio e seus capangas Chico e Romão matarem friamente seus pais. Cerca de vinte anos depois, José, adulto, retorna ao local para vingar a morte dos pais. Ele é contratado por Glauber, filho de Antônio, para trabalhar na fazenda e se envolve com Maria, prostituta que tem uma relação com Glauber, mas que, por vezes, também é procurada por Antônio. Trabalhando com elementos clássicos do western, o filme tem o mérito de trazer a história de vingança para a realidade nacional, começando a narrativa com um excelente arco (a morte dos pais) e seguindo pela construção cuidadosa dos personagens. A narrativa demora-se para mostrar a relação conflituosa de Glauber com o pai, o envolvimento amoroso entre os dois capangas, e a relação intrincada de Maria, Glauber e Antônio, além de dar sinais das questões existenciais de José. A narrativa estava se desenvolvendo super bem, mas, do nada, baixa um “espírito de novela da Globo” na obra e, nos dez minutos finais, na maior correria, acontece o desfecho de todos os atritos. Eu fiquei com a sensação de que acabou a verba e que precisava terminar o filme fosse lá como fosse. Para mim, o grande problema do filme foi se demorar muito no desenvolvimento dos personagens e, do nada, acelerar a conclusão, “pulando” algumas coisas que teriam sido importantes no desenvolvimento da trama, como a hesitação de José em concluir a missão autoimposta ou questões da relação de José com um dos capangas (elemento que saiu do nada). Percebemos, facilmente, que o que poderia melhorar é a montagem, que não soube equilibrar muito bem o tempo dos arcos. Mas apesar do resultado meio desajeitado, o filme tem algumas virtudes inegáveis: a fotografia em tons quentes excelente, a muito adequada trilha sonora de músicas bregas, a interpretação de todo o elenco, profundamente comprometido com o projeto, e o desenho de produção esmerado. Eu gostei, mas poderia melhorar bastante o desfecho. Vigésimo oitavo filme visto na 49ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.



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