• hikafigueiredo

"The Nightingale", de Jennifer Kent, 2018

Filme do dia (74/2020) - "The Nightingale", de Jennifer Kent, 2018 - Austrália, 1825. Na colônia penal britânica de Van Diemen's Land, Clare (Aisling Franciosi) , uma ex-condenada, vive com seu marido Aidan (Michael Sheasby) e o bebê do casal. Ela é perseguida pelo Tenente Hawkins (Sam Claflin), um homem doentiamente cruel e autoritário. Uma noite, Hawkins vai à casa de Clare, onde uma terrível violência será perpetrada contra Clare e sua família, ensejando justiça.





O filme - pesadíssimo, diga-se de passagem - discorre sobre a natureza covarde e violenta dos homens brancos detentores de poder. O personagem Hawkins - mas não apenas ele - personifica a sanha destruidora e assassina do homem branco, ao subjugar outros povos e, até mesmo, os indivíduos mais fracos de seu próprio povo, dentre os quais as mulheres. Do início ao fim da obra, temos uma mostra do que o homem branco foi capaz de fazer nas colônias que conquistou e como tratou seus próprios pares. E, sinceramente, não acho que a diretora pesou a mão, porque realmente acho que o patriarcado branco foi alicerçado sobre a ganância e a violência de homens doentes. Achei interessante como a diretora trabalhou o tema da opressão - Clare, oprimida pelos homens de sua raça, não exita em oprimir o aborígene Billy num primeiro momento. É necessário Clare presenciar e vivenciar a opressão de Billy e de seu povo, em inúmeras ocasiões, para entender que ela e ele não se diferem em nada e são, ambos, oprimidos por um "inimigo" comum - achei a transformação de Clare bem gradual, não ficou caricata ou exagerada. Da mesma forma, achei bem crível o tipo de relação estabelecida entre os homens brancos e os aborígenes negros - os primeiros dizimando os segundos.É uma obra extremamente violenta, daquelas em que a injustiça salta aos olhos e o espectador sofre junto com os personagens, mas que, claro, em algum momento vai rolar a catarse redentora (mas, admito, que não como eu gostaria). A atmosfera é pesada e tensa - bastante -, o ritmo alterna lentidão com momentos mais intensos. Gostei da forma como os pesadelos de Clare foram inseridos na narrativa - eles sempre deixavam o clima mais tenso. A obra tem uma fotografia bonita e uma direção de arte de época vistosa. As interpretações de Aisling Franciosi como Clare e Baykali Ganambarr como Billy foram incríveis; não sei se não gostei da interpretação de Sam Claflin como tenente ou se não gostei do personagem, que eu achei um pouco "over". No elenco, ainda, Harry Weaving, filho do ator Hugo Weaving. A obra é boa, um pouco previsível, mas boa. Valeu pela tensão e pela catarse que me relaxou depois.

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