• hikafigueiredo

"Tokyo!", de Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-Ho, 2008

Filme do dia (106/2020) - "Tokyo!", de Michel Gondry, Leos Carax e Bong Joon-Ho, 2008 - Na capital japonesa, três histórias envolvendo a cidade e sua população têm lugar: uma jovem mulher encontra dificuldade em se adaptar à cidade; uma estranha criatura aterroriza Tokyo; um homem recluso quebra sua rotina ao se deparar com uma entregadora de pizza.





Definitivamente "Tokyo!" é uma obra, no mínimo, intrigante e original. As três histórias têm, em comum, além da capital japonesa, o pé na fantasia, uma boa dose de crítica social e diretores talentosos e competentes. Na primeira história, a jovem Hiroko (Ayako Fujitani) sente-se deslocada na sociedade por não ter grandes aspirações na vida. A personagem sente-se inútil e sem propósitos. Uma estranha metamorfose fará com que ela se sinta integrada à sociedade. Nessa história, a crítica encontra-se na pressão social para que as pessoas integrem-se à massa e ajam dentro de uma expectativa. Qualquer desvio de rota é malvisto pela sociedade. A integração é necessária mesmo que para isso as pessoas sejam desumanizadas. Na segunda história, uma criatura vinda dos esgotos, conhecida como Merda (Denis Lavant), ataca a população. Novamente temos uma crítica à padronização social e como são tratados aqueles que não se encaixam no padrão, sendo a revolta mera consequência deste tratamento desumanizado. Na última história, retrata-se a vida de um "hikikomori", aquele indivíduo que opta por permanecer recluso e afastado da sociedade. Aqui a crítica é evidente - a tendência crescente ao isolamento das pessoas, à não-interação social e à solidão voluntária (ainda que promovida pelo estilo de vida imposto pela sociedade). As três narrativas são extremamente bem construídas, instigantes e cada uma deixa um gostinho de "hmmmm... quero mais". Destaques: a cena da metamorfose na primeira história e seu melancólico desfecho; a interpretação visceral e "esquisita" de Denis Lavant - que curte um personagem fora dos padrões, como se vê também em "Holy Motors" (2012), do mesmo Leos Carax, e em "A Noite Devorou o Mundo" (2018) -, na segunda história; a direção de arte do apartamento do "hikikomori" e a angústia que nos cresce quando o personagem sai de sua reclusão e encontra as ruas vazias. Três grandes diretores e três histórias bacanas. Gostei e recomendo!

  1. PS - para quem não ligou nome à pessoa, Bong Joon-Ho da terceira história é o diretor do aclamado filme "Parasita", ganhador de tudo possível nos festivais e premiações em 2019 e 2020, e que fez história ao ser o primeiro filme de língua não-inglesa a ganhar o prêmio principal no Oscar.

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