• hikafigueiredo

"Trama Fantasma", de Paul Thomas Anderson, 2017

Filme do dia (65/2018) - "Trama Fantasma", de Paul Thomas Anderson, 2017 - Grã-Bretanha, década de 1950. Reynolds Woodcock (Daniel Day-Lewis) é um renomado estilista que cria os vestidos que vestem as mulheres da mais alta elite européia. Metódico, autoritário e egocêntrico, Reynolds rapidamente perde o interesse nas namoradas com as quais se envolve. Até conhecer Alma (Vicky Krieps).





Há quase vinte e quatro horas penso em como falar desta obra sem revelar spoilers e sem interferir na evolução envolvente, quase inebriante, da narrativa. Inicialmente, diria que os fãs do diretor vão amar o filme, pois nenhum outro filme foi tão PTA quanto este. Por outro lado, os detratores do diretor vão odiar a obra, pelo mesmíssimo motivo. Diria que a questão central do filme é a evolução e o ritmo da narrativa - a história começa bem devagar, quase maçante, e vai ganhando ritmo, vai agregando força, até terminar num clímax muito louco, quase surreal. No que tange ao assunto, o filme retrata um relacionamento amoroso intenso e neurótico, cujo equilíbrio reside na alternância constante de poder entre o casal. Aqui, dominação e submissão alternam-se, bem como intolerância e conformismo. É curioso como o casal aceita a situação e molda-se de forma a naturalizar condutas abusivas e até mesmo perigosas, encontrando, aí, o estreito caminho para a relação. Em outras palavras, é no desequilíbrio que eles encontram o equilíbrio - complexo, não??? Mas tem algo mais PTA que isso??? Devo avisar que, até Alma conseguir finalmente se impor, usando, para tanto, meios bem pouco usuais e, certamente, nada saudáveis, o público feminino talvez suba pelas paredes pelo festival de grosseria, machismo e arrogância do personagem Woodcock para sua companheira. Aliás, apesar do tema, não espere assistir a um romance minimamente convencional - aaah, não! Temos muito mais drama e suspense (sim, suspense!!!), do que qualquer um poderia imaginar! Tecnicamente, o filme é um deslumbre!!!! Fotografia, Direção de Arte e Figurinos, estritamente casados, encaixados, tornam o filme uma deliciosa viagem visual. A edição de som também é ótima, com destaque para os ruídos da mesa de café da manhã que desconcentram e irritam Woodcock. A trilha sonora - atributo que eu raramente consigo perceber (surda para cinema, coitada... :/ ) - aqui domina com um piano quase constante que me incomodou profundamente, apesar de combinar perfeitamente com a narrativa. A interpretação da bela e vivaz Vicky Krieps é competente, mas ela é devorada pelo talento indiscutível de Daniel Day-Lewis que faz um Woodcock que alterna da criatura mais estúpida e arrogante, doentiamente metódica e autoritária, para o ser mais frágil e submisso, que se coloca inteiramente nas mãos da companheira Alma (oooops.... tô quase falando demais). Gente... é filmaço, mas não é para todo mundo - se não se conectar com a narrativa, vai odiar cada metro de celuloide usado para fazer o filme, rs. Eu, euzinha, que curto muito o diretor, gostei bastante. Boa sorte na viagem. ;)

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