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"Trens Estreitamente Vigiados", de Jiri Menzel, 1967

Filme do dia (238/2020) - "Trens Estreitamente Vigiados", de Jiri Menzel, 1967 - Tchecoslováquia, Segunda Guerra. O jovem Milos (Václav Neckár) acaba de ser alçado a aprendiz na pequena estação de trens local. Orgulhoso de seu novo uniforme, ele vive um momento de insegurança quanto ao seu relacionamento com Mása (Jitka Bendová), uma condutora de trens igualmente jovem.





Tendo a ocupação alemã da Tchecoslováquia durante a Segunda Guerra como pano de fundo, o filme discorre sobre as inseguranças da juventude e o amadurecimento emocional do protagonista. Milos é pouco mais que um adolescente e vem de uma família reconhecidamente pouco afeita ao trabalho. Sensível, tímido e inseguro, ele precisa provar para a namorada que é "homem", o que aumenta sua tensão e insegurança. Como conselheiro, ele tem o colega Hubicka, um notório mulherengo. A obra tem seu foco nas questões íntimas do personagem e traz uma doçura quase tão grande quanto o pessimismo que vem a reboque. O filme é bastante lento e traz uma melancolia tênue consigo. O espectador se compadece do protagonista, sua ingenuidade salta da tela, fazendo contraponto com a malícia e experiência do colega Hubicka. A narrativa segue tempo linear, flui leve e vagarosamente. A questão da ocupação alemã permeia todo o filme, mas poucas vezes aparece em primeiro plano, conquanto seja peça chave na cena final. O filme é feito em fotografia P&B, pouco contrastada. Com frequência são usados planos de detalhes em objetos, mãos ou rostos, esticando o tempo de cena. A escolha de Vaclav Neckár como Milos não poderia ser mais acertada - seu tipo físico, que inclui um corpo franzino e olhos muito grandes, faz com que o personagem pareça ainda mais assustado do que a própria interpretação sugeriria, completando o ótimo trabalho do ator. Gostei também do trabalho de Josef Somr como Hubicka - o ator traz para o personagem um sorriso safado e um jeito malicioso que contrapõe perfeitamente com o jeito meigo do protagonista, belíssimo contraste. Destaques: a cena de Milos no motel; a cena de Hubicka e Zdenicka com os carimbos; a cena de Milos com Vicktoria; e a impactante cena final. Reclamação: odiei a cena do coelho, completamente desnecessária. A obra ganhou o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 1968. Ótimo filme, extremamente intimista e sensível, mas lento pacas. Recomendo para quem já tem o costume de ver filmes com ritmo de moderado a lento.

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