• hikafigueiredo

"Um Balde de Sangue", de Roger Corman, 1959

Filme do dia (153/2021) - "Um Balde de Sangue", de Roger Corman, 1959 - Walter Paisley (Dick Miller) é um garçom de um renomado bar frequentado por artistas. Apaixonado por Carla (Barboura Morris) e querendo impressionar a moça, ele sonha em se tornar, também, um artista. Certo dia, ele acidentalmente mata o gato da vizinha e, temendo as consequências, acaba escondendo o corpo do animal sob uma camada de argila. Para se livrar das evidências, ele leva sua "obra de arte" para o bar e acaba sendo festejado como um talentoso escultor.





O filme mescla suspense e terror com uma certa dose de humor ácido, formando uma interessante, divertida e crítica obra acerca dos artistas do nascente movimento Beat. O bar onde o protagonista trabalha é o ponto de encontro de toda uma geração de artistas ligados à contracultura - é divertido acompanhar a poesia declamada por um dos frequentadores do bar, logo na entrada do filme, completamente sem sentido e festejada pelo público do local. O fato dos trabalhos de Walter serem aclamados como verdadeiras obras de arte - um retorno ao naturalismo e blá-blá-blá - traz embutida uma fina ironia acerca dos artistas daquele movimento - é evidente que o diretor considerava aqueles artistas da contracultura uns embustes, completamente incapazes, e a crítica surge de forma bastante contundente. A narrativa segue tempo cronológico e tem um ritmo bem sereno, ganhando agilidade no final. A obra tem uma atmosfera irônica e, a despeito do tema, só ganha mesmo alguma tensão bem no finalzinho. Nos últimos cinco minutos entra um certo elemento sobrenatural, na minha opinião, completamente deslocado do restante da narrativa - definitivamente, não precisava. Também ao final, a estética da obra ganha ares expressionistas, algo que combinou bem com a história, garantiu tensão à narrativa e me agradou um bocado. A trilha sonora com tons jazzísticos também veio bem a calhar. A interpretação de Dick Miller para o protagonista Walter está ótima - o personagem é a imagem do pobre-diabo, um sujeito mais sem-noção, maluco e ingênuo do que, propriamente, um indivíduo maldoso, apesar das atitudes que toma ao longa da história, e, a cara de "cachorro-que-caiu-do-caminhão-de-mudança" do personagem auxilia bastante nessa caracterização. A obra é simpática e divertida , bem curtinha (1h06min), passa voando. Eu gostei e recomendo.

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