• hikafigueiredo

"Um Banho de Vida", de Gilles Lellouch, 2018

Filme do dia (356/2020) - "Um Banho de Vida", de Gilles Lellouch, 2018 - Bertrand (Mathieu Amalric) é um homem de meia idade, desempregado e em depressão. Sem qualquer perspectiva de melhora e sem nenhuma motivação específica, ele resolve entrar na equipe de nado sincronizado masculino do centro comunitário local.




Sabe aquele tipo de filme "good vibes" que, ao terminar, você fica com sorriso bobo no rosto? É este filme aqui. Os personagens, todos "loosers" ou cheios de problemas - ou ambos -, passam a história inteira mostrando suas existências medíocres até um final que, para aquela realidade, chega a ser redentor. É interessante que o desfecho não é inverossímil - não, eles não passarão a ser um exemplo de sucesso, superação e reconhecimento nacional, mas, para eles e para os seus, o resultado é aquela fagulha necessária para dar cor e alegria às suas vidas. Na minha opinião, a obra fala sobre empatia, solidariedade e amizade e de como é importante a existência de uma rede de suporte que nos ajude a seguir mesmo quando as coisas não estão dando muito certo. E não se engane quem imagina um filme de auto-ajuda e superação - não que a história não tenha essa ideia de superação, mas nem de longe parece aquela ode à meritocracia de, por exemplo, "Em Busca de Felicidade" (2006), filme que eu detesto justamente por essa concepção de que "se você se esforçar de verdade, você chegará lá" (lá onde, cara pálida?). Aqui o mérito não é individual, mas baseado em uma ideia de solidariedade, de trabalho coletivo, apoio mútuo e de compartilhamento dos resultados, e o sucesso não se mede pela régua da sociedade, mas pelos desejos e expectativas pessoais de cada um - ou seja, o que vital não é aquilo que a sociedade julga como importante, mas aquilo que apraz e reconforta, intimamente, cada um. A narrativa é linear, o ritmo é marcado e constante e o tom geral passa de melancólico para otimista. O destaque ficou por conta da trilha sonora, cheia de hits dos anos 80 e 90, bem a calhar para uma equipe repleta de quarentões e cinquentões. No elenco, além do ótimo Mathieu Amalric, perfeito como o depressivo Bertrand, Benoit Poelvoorde como o fracassado Marcus, Guillaume Canet como o estressado Laurent, Jean-Hugues Anglade como o músico sem sucesso Simon, Virginie Efira como Delphine, Leila Bekthi como Amanda e, como destaque, Philippe Katerine como o tímido Thierry, personagem que lhe rendeu o César de Melhor Ator Coadjuvante - todos muito bem. O filme é uma graça, muito gostoso de ver e sem lições de moral dispensáveis. Recomendo com carinho.

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