• hikafigueiredo

"Um Beijo Roubado", de Won Kar-Wai, 2007

Filme do dia (100/2020) - "Um Beijo Roubado", de Won Kar-Wai, 2007 - Após uma desilusão amorosa, Elisabeth (Norah Jones) vai curtir sua ressaca emocional no bar de Jeremy (Jude Law), criando um laço afetivo com o rapaz. Percebendo que terá de mudar de ares para se reinventar, Elisabeth parte para uma jornada por outros lugares, mas sempre deixando Jeremy a par de seus passos.





Primeira incursão do diretor Wong Kar-Wai pelo cinema norte-americano e apostando em um elenco estrelado, o filme trata-se de um road movie que discorre acerca de "não-relacionamentos" ou, em outras palavras, relações conturbadas, fracassadas ou inexistentes, começando pela própria frustração amorosa da personagem Elisabeth e pelo vácuo criado entre ela e Jeremy. No caminho de Elisabeth, outros relacionamentos malogrados surgirão, ensinando à personagem como lidar com o insucesso. A obra tem um quê voyeurístico, pois, constantemente, temos o olhar como peça principal: Elisabeth observa a relação de Arnie e Sue Lynne, assiste ao mis-en-scéne de Leslie, Jeremy diverte-se assistindo as gravações da câmera de segurança do bar e, com frequência, nós, espectadores, somos colocados em posição de observadores, assistindo às cenas através de janelas, vãos de porta ou detrás de objetos. Apesar de ter lá seu encanto, achei a obra um pouco tumultuada e nem de longe chega aos pés da obra-prima do diretor, "Amor à Flor da Pele" (2000), ou mesmo de "Amores Expressos" (1994). Aliás, a estética refinada das obras do diretor, aqui ganha ares de filme publicitário, o que me incomodou um bocado - os flashes em câmera lenta que já haviam sido utilizados em outras obras (e que ali faziam sentido), aqui me soaram desnecessários e artificiais. A trilha sonora, por outro lado, com algum jazz e blues e músicas suaves me agradou bastante e trouxe certa leveza ao filme. Achei a montagem um pouco confusa, tendo de "trabalhar" elementos em excesso, mas, nada desastroso. Quanto às interpretações, achei bastante irregulares - Norah Jones, cantora não atriz, se sai melhor do que eu esperava, mesmo considerando que seu papel não exige demais; Jude Law está bem como Jeremy, mas nada de outro mundo também; detestei a interpretação de Rachel Weisz, aquela Sue Lynne com o cabelo eternamente na cara não me convenceu em momento algum; também achei a interpretação de Natalie Portman "pesada" e muito aquém do talento da atriz; e David Strathairn mostra melhor serviço como Arnie. Em suma, diria que, em linhas gerais, o filme é interessante, razoável, me prendeu, mas é menor que o diretor, esperava mais.


PS - Ô título em português horroroso!!! Mil vezes o título original ´"My Blueberry Nights".

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