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  • hikafigueiredo

"Um Corpo que Cai", de Alfred Hitchcock, 1958

Filme do dia (417/2020) - "Um Corpo que Cai", de Alfred Hitchcock, 1958 - Após um terrível incidente, oportunidade em que descobre sofrer de acrofobia, o detetive John Ferguson (James Stewart) aposenta-se da polícia. No entanto, é procurado por um antigo colega de escola que lhe pede para investigar estranhas ocorrências que pairam sobre sua esposa Madeleine (Kim Novak) e que indicam uma aparente intervenção do sobrenatural em sua vida.





E da mesma forma como aconteceu com o excelente "Psicose" (1960), um dia me dei conta que jamais havia visto esta obra inteira, do começo ao fim, muito embora soubesse de todo o enredo e tivesse visto um sem fim de cenas. E lá fui eu conferir um dos filmes mais renomados do mestre do suspense, para, mais uma vez, constatar o brilhantismo do diretor. A obra inicia flertando com o sobrenatural e quase nos convence que o diretor poderia ter enveredado pelo gênero do terror puro e simples - ledo engano, pois, por volta do segundo terço do filme, descobrimos, antes mesmo do protagonista, a existência de uma complexa trama por trás dos acontecimentos aparentemente paranormais, oportunidade em que mergulhamos, de cabeça, em um dos melhores thrillers já feitos ao longo da história do cinema. A obra, além de firmar-se como um maravilhoso filme de suspense, ainda traz um tema que voltaria a ser explorado (se bem que de uma forma um tanto diferente) no já mencionado "Psicose" - a obsessão, que, aqui, reveste-se de ideais românticos e ganha cores de paixão. Não quero entrar em detalhes para não dar spoilers desnecessários, mas o espectador será confrontado com uma situação de evidente alteração emocional do protagonista, que se vê completamente obcecado pela figura de Madeleine, a ponto de ter atitudes que, hoje, seriam consideradas francamente abusivas. Aliás, se tem algo interessante nessa obra é que os personagens ganham espessura ao longo da história e o que parecia simples no começo torna-se mais e mais intrincado à medida em que nos aproximamos do final - esqueça os personagens maniqueístas, o filme traz complexidade aos personagens centrais que têm facetas obscuras e não são nem tão "bonzinhos", nem tão "malvados" assim. A obra tem, também, os dois pés no gênero noir, desde o tema até a estética, com sua fotografia muito contrastada e vários planos de detalhe. Impossível falar do filme sem mencionar a sofisticação formal da obra - são inúmeros os planos refinados e pouco óbvios, muitos plongées e contra-plongées, diversas movimentações de câmera inusitadas e a criação de um efeito de vertigem que até ganhou o apelido de "efeito Vertigo" ("Vertigo" é o título original do filme), conseguido através do zoom da lente concomitantemente a um movimento de câmera de afastamento do objeto (o contrário também resulta o mesmo efeito). Quanto às interpretações, temos James Stewart dando show, saindo um pouco do eterno papel de bom moço sem defeitos, já que ele tem aquele ladinho um tanto quanto perverso já mencionado - eu, que já era fã do ator, fiquei ainda mais impressionada com seu trabalho; Kim Novak está bem, muito embora eu não possa dizer que se equipare à atuação de Stewart, e consegue transmitir, com desenvoltura, os conflitos internos de sua personagem. O filme é excelente e vem disputando os primeiros lugares nas diversas listas de melhores filmes de todos os tempos feitas por diferentes diretores e associações. Hitchcock mostrando seu talento, o filme é obrigatório!

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