• hikafigueiredo

"Um Inverno para Lembrar", de Cecilia Valenzuela Gioia, 2017

Filme do dia (462/2020) - "Um Inverno para Lembrar", de Cecilia Valenzuela Gioia, 2017 - Lucia (Cecilia Valenzuela Gioia) é uma jovem argentina de 21 anos que sofre ataques de pânico e tem pesadelos recorrentes. Com profunda dificuldade em se comunicar, Lucia vive sob efeitos de remédios e se mostra ausente na maior parte do tempo. Em meio a esse sofrimento psicológico, Lucia volta à sua cidade natal, Salta, onde conhece Olivia (Mercedes Burgos), e esse encontro mudará, radicalmente, a vida de Lucia.





Esse é daqueles filmes que não tem spoiler possível a ser dado. Da sinopse ao cartaz, ele já revela a que veio: discorrer acerca da descoberta da homossexualidade e do processo de auto-aceitação pelo qual a protagonista precisa passar. Obras de temática LGBTQIA+ estão entre meus prediletos, talvez pela minha proximidade desse universo por conta de inúmeros amigos e amigas. Gosto, particularmente, de filmes em que a descoberta da homossexualidade se dá de forma suave e os personagens conseguem assumir sua natureza com relativa tranquilidade, e não de maneira caótica ou, pior, traumática. Nessa esteira vão filmes como "De Repente, Califórnia" (2007), "Me Chame pelo seu Nome " (2017), "Hoje Eu Quero Voltar Sozinho" (2014) e "Com Amor, Simon" (2018), e, a eles, "Um Inverno para Lembrar" vem se juntar. Ainda que a protagonista viva certo inferno interior pela dificuldade em se assumir, ao abrir sua natureza homo-afetiva para o mundo, ela não é rejeitada, mas, sim, acolhida - o sonho de qualquer gay ou lésbica que se assuma nessa nossa sociedade tão homofóbica e violenta. A obra é gracinha, mas bem simples em seus propósitos e roteiro e a narrativa se desenvolve sem qualquer percalço - diria, até que o clímax surge naturalmente, se é que se pode chamar de clímax, tal a suavidade como ocorre. A narrativa é linear, o ritmo é moderado, confortável, e a atmosfera é otimista, ainda que muito intimista desde o princípio. Da fotografia e direção de arte, o que me chamou a atenção foi o súbito acréscimo de cores após Lucia se assumir - se, no início do filme, existe uma quase ausência de cores, um embotamento geral, ao final da obra as cores estão por toda a parte, muito saturadas e brilhantes. Gostei muito da dupla de atrizes, que inclui a diretora Cecilia Valenzuela Gioia, que interpreta a jovem Lucia, uma personagem que começa "pesada", travada, e desabrocha ao longo da história. Cecilia interpreta com muito "sangue" a personagem, o que me faz desconfiar tratar-se de uma obra autobiográfica, suspeita não confirmada... ainda... rs. Já Olivia mostra-se o oposto - leve e luminosa, Olivia não guarda seus sentimentos e palavras, sendo extrovertida e alegre desde o momento em que surge na tela... e Mercedes Burgos consegue transmitir com facilidade essas características da personagem. A química entre as personagens é enorme, o que traz realismo à obra. O filme é fofíssimo e é quase uma projeção das expectativas de um(a) jovem homossexual. Eu gostei bastante e recomendo para quem curte o tema.

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