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“Um Lugar Secreto”, de Pascual Sisto, 2021

  • hikafigueiredo
  • 14 de set. de 2025
  • 3 min de leitura

Filme do dia (68/2025) – “Um Lugar Secreto”, de Pascual Sisto, 2021 – Num passeio pela floresta contígua à sua residência, o adolescente de 13 anos John (Charlie Shotwell) descobre um bunker abandonado. Disposto a usufruir de uma liberdade maior do que a permitida por seus pais, John arquiteta uma forma de prender sua família no bunker e, assim, descobrir como funciona a vida adulta.


 

Eu tenho a opinião que um filme interpretativo precisa ter certos cuidados para não ser vago, hermético ou um grande apanhado de metáforas aleatórias e mal articuladas e este filme, para mim, é um exemplo cabal de eu ter essa opinião. Cheio de boas intenções, a obra tenta discorrer sobre a incomunicabilidade entre pais e filhos e sobre o vazio existencial que se instala quando os indivíduos não possuem objetivos claros e um espaço acolhedor para diálogo. Digo tenta porque, não obstante eu consiga perceber ser essa a intenção da narrativa, eu acho que ela falha miseravelmente em transmitir essas ideias. O filme começa apresentando uma família que, claramente, não possui uma boa comunicação entre seus componentes – em um jantar em família, todos estão distraídos com outros afazeres e praticamente não percebem seus familiares. Dentre estes, acompanhamos o menino John, de 13 anos, que parece completamente absorto de tudo o que está ao seu redor. Certo dia, John descobre um bunker abandonado nas cercanias de sua casa e, do nada, engendra uma forma de enfiar seus pais e irmã nele para sentir o gosto de uma vida adulta – a premissa e a forma como tudo acontece é de uma inverossimilhança infantil. Por um lado, a narrativa não constrói uma insatisfação crível no protagonista que dê esteio à sua atitude – seus pais são ausentes, mas não ao ponto de justificar uma conduta tão extrema; nesse ponto, não há uma construção sólida de personalidades e relações como, por exemplo, encontramos em “Precisamos Falar Sobre Kevin” (2011), então tudo parece muito gratuito. Por outro lado, não dá para acreditar que aquele menino, com chassi de pernilongo, conseguiria levar seus familiares desacordados, um a um, a uma distância tão considerável; aliás, até como ele deixa seus parentes desacordados é meio ridículo. Daí em diante, a história só desce a ladeira. Nada é bem conectado e sólido, tudo parece muito ... frouxo! O menino de 13 anos dirigindo um carro pela cidade, sem chamar a atenção de qualquer um, a visita de um policial que, ao não ser recebido, deixa tudo por isso mesmo, a amiga da mãe que percebe que as histórias dele não têm pé nem cabeça e não dá continuidade às suas suspeitas... tudo é muito inconcebível e raso demais! Mas, espera aí, dá para piorar! No meio do imbróglio, surge outra história – uma narrativa dentro da outra, que talvez ajudasse a justificar a frouxidão do primeiro enredo. Ocorre que essa segunda história é tão falha quanto à primeira, talvez até mais, pois suas metáforas acerca do abandono e dependência infanto-juvenil são ainda mais mal ajambradas! Sinceramente, o espectador precisa de muita boa vontade para pescar essas alegorias e montar o quebra-cabeça mal construído, sem razão e sem espessura. De reboque, passagens desconexas, mais falsas que nota de três reais, nada interligado com nada... eu fiquei esperando um grande plot-twist que viesse me surpreender e fazer a liga que amparasse aquele monte de baboseira. Pois é... não veio. Nem como um thriller o filme funcionou, porque a tensão era pífia e a incredulidade de como as coisas estavam se desenhando tomou todo o espaço e atenção desta espectadora. Alguma coisa funcionou? Talvez certa sensação de vazio e falta de propósito no protagonista, mas, mesmo assim, foi algo tênue e que não abarcou toda a atmosfera. O elenco até se esforçou – o jovem Charlie Shotwell conseguiu transparecer alguma estranheza, mas não suficiente para justificar o que viria ocorrer; Jennifer Ehle e Taissa Farmiga, respectivamente mãe e irmã do adolescente, tentaram tirar água de pedra em seus papeis, demonstrando uma boa dose de incompreensão e assombro ante a atitude do protagonista; Michael C. Hall (para quem não lembra, o Dexter da série homônima), na minha humilde opinião, fez um péssimo trabalho, não oferecendo nada ao público; e Samantha LeBretton só espelhou a fisionomia atônita dos espectadores na sua Lily (a cara de “what a fuck” dela é a expressão pura e cristalina da tônica do filme). Enfim... achei um filme presunçoso e, ao mesmo tempo, fraco e esvaziado de sentido. Não gostei MESMO e não aconselho. Quem tiver interesse, procura aí no Justwatch para ver onde tem em streaming, porque eu não vou perder meu precioso tempo nessa pesquisa desnecessária.

 
 
 

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