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“Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, 2025

  • hikafigueiredo
  • 11 de out. de 2025
  • 4 min de leitura

Filme do dia (79/2025) – “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson, 2025 – Pat “Ghetto” Calhoun (Leonardo DiCaprio) é o integrante de uma organização revolucionária estadunidense que luta por justiça e igualdade social. Ele tem em Perfídia Beverly Hills (Teyana Taylor) sua companheira de luta e de vida. Quando Perfídia é pega em uma ação armada, “Ghetto” precisa assumir, junto com a filha do casal, uma nova identidade – nascendo, assim, Bob e Willa Ferguson. Dezesseis anos depois, o perigo volta a se aproximar de pai e filha.


 

Eu tenho um problema com filme muito “hypado” – eu sempre fico na expectativa de ver algo mega sensacional e, via de regra, me decepciono. Neste caso, não acho que me decepcionei – o filme é ótimo, até porque Paul Thomas Anderson não erra a mão nunca - mas, ainda assim, esperava algo transcendental que não chegou a ser. Culpa minha que não sei controlar essa expectativa toda e acabo perdendo um pouco da experiência mesmo quando ela é bem positiva, como no caso. O filme é bem completo e difícil de definir, porque ele tem muita ação, um tanto de drama, tem romance e uma dose grande de humor, tudo isso com um fundo político e muita crítica. A narrativa tem início com a luta armada do grupo revolucionário estadunidense French 75, do qual Ghetto e Perfídia fazem parte. Ghetto é especializado em explosivos e Perfídia é, ela própria, a explosão. A dupla logo se torna um casal, até que Perfídia engravida e dá à luz uma menina. A vida familiar prende Perfídia, que logo mostra seu descontentamento, além de certa mágoa pela atenção dispensada à bebê por Ghetto. Em uma ação armada, Perfídia é feita refém pelo Capitão Steven J. Lockjaw, um militar linha dura que nutre uma atração enlouquecida por ela e que lhe oferece a “liberdade” em troca de informações sobre o restante do grupo – e Perfídia, covardemente, cede e delata os companheiros. Muitos são pegos ou assassinados, mas outros, graças a seus protocolos de segurança fogem – caso de Ghetto e a filha do casal, que assumem uma nova identidade como Bob Ferguson e Willa. Dezesseis anos depois, Lockjaw continua atrás de pai e filha, tornando-se um perigo à família. Primeiro ponto de destaque: ainda que eu tenha sentido que o diretor apresentou o grupo French 75 com bastante simpatia no olhar, há também crítica nele. Seus integrantes surgem como fanáticos, extremamente “viscerais” e com algo meio insano – e Perfídia é o ápice disto tudo. Claro que é impossível imaginar uma revolução armada diferente disso, mas eu tive um “feeling” de que o diretor se divide entre admirar e criticar quem acredita nessa possibilidade. Por outro lado, o deboche quanto à elite, o exército e os poderosos em geral é bem mais evidente. A própria figura do Capitão – anos depois alçado a Coronel – Lockjaw já evidencia uma crítica feroz àqueles que detêm poder. Lockjaw é um vilão completo: hipócrita, violento, cruel, misógino, racista... e, ao mesmo tempo, ridículo em um nível absurdo!!!! E aqueles que ele admira são ainda piores, tudo aquilo que a sociedade capitalista criou de desprezível está lá. Em um outro nicho, temos os povos originários – imigrantes latinos de origem indígena ou aqueles indígenas naturais das terras estadunidenses. Estes são mostrados como verdadeiros heróis, batalhadores, orgulhosos, cheios de princípios, cuja revolta é a mais legítima e cuja luta realmente merece prosperar. E é nesse caldeirão de pessoas e histórias diferentes que a narrativa se desenvolve deliciosamente. É, realmente, um filme que flui e que é capaz de agradar uma gama bem grande de espectadores, justamente por trazer tantos e tão diferentes elementos dos mais diversos gêneros. Destaco a trilha sonora envolvente – e olha que eu sou surda para cinema! Amei algumas cenas de plano-sequência – sensacionais, eu me senti dentro da ação do filme!!! A cena da perseguição na estrada quase me levou a ter uma crise de labirintite, de tão perfeita – a estrada que subia e descia e dava uma sensação de vertigem, uma loucura! E, claro, temos o elenco espetacular: Leonardo DiCaprio é um ator incrível, mas confesso que foi quem menos me impressionou. Não que ele não esteja bem como Bob – ele está! – mas eu achei um personagem que não exigiu tanto do ator. Diferente de Teyana Taylor – a mulher é um vulcão, um tsunami, uma hecatombe nuclear!!!! Ela colocou um olhar e uma postura em sua Perfídia que fizeram a personagem ser uma força da natureza, sério!!!! Também achei incrível o trabalho de Chase Infiniti como a jovem Willa – ela conseguiu trazer uma empáfia bem parecida à filha de Perfídia, como se o olhar contestador passasse de mãe à filha! Ótimo, ainda, o trabalho de Benicio del Toro como “sensei” – um revolucionário com a calma e sensatez que não havia no grupo French 75. Maaaaas, quem sobressai de tudo e todos é o monstro Sean Penn como Lockjaw – ele vai ganhar o Oscar por esse papel, é certeza, ele está extraordinário!!!! Bom... o filme é excelente, suas quase 3 horas passam num piscar de olhos – e olha que eu vi durante a semana, à noite, e não tive um segundo de sono, o que é inédito!!!! Cotadíssimo para o Oscar, eu recomendo! Atualmente nos cinemas.

 
 
 

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