• hikafigueiredo

"Uma Mulher Sob Influência", de John Cassavetes, 1974

Filme do dia (72/2021) - "Uma Mulher Sob Influência", de John Cassavetes, 1974 - Mabel (Gena Rowlands) é uma dona de casa solitária com sérios problemas psicológicos. Ela é casada com Nick (Peter Falk), um marido ausente e sobrecarregado no trabalho. Quando o estado psicológico de Mabel piora e as coisas saem completamente de seu controle, Nick precisa tomar uma decisão.





O filme trata da relação de um casal afetado pelo sério desequilíbrio psicológico da esposa. Mabel é uma mulher doce, mas que evidentemente não se encontra dentro de suas faculdades mentais. Os colegas de trabalho de Nick, assim como seus familiares, percebem o descontrole de Mabel, mas Nick rejeita qualquer comentário sobre os problemas psicológicos de sua esposa. Nick vai equilibrando como pode a sua atribulada relação doméstica até tudo ficar insustentável. Antes de mais nada: apesar de, nessa obra, John Cassavetes aproximar-se um pouco mais do cinema mainstream, tornando a linguagem de seu filme um pouco mais acessível ao público, ele, de maneira alguma, trai sua história e suas concepções cinematográficas. Ainda estão ali os assuntos espinhudos, a improvisação e a evidência dos intérpretes em uma narrativa que corre solta (um pouco menos que em suas obras anteriores, mas ainda se percebe muita liberdade nas atuações). O filme apoia-se completamente na figura da personagem Mabel e é inegável que Gena Rowlands carrega o filme nas costas, com uma interpretação visceral, ousada e potente. A obra é incrível, realmente muito boa, principalmente por conta de Gena Rowlands - mas, admitindo suas virtudes, concluo que realmente o cinema de Cassavetes não me conquistou. Nos três filmes que eu vi, um seguido do outro, eu me senti extremamente desconfortável, mas um desconforto que se aproximava de uma certa vergonha alheia dos personagens, um certo constrangimento, muito diferente do desconforto que eu sinto nas obras de Trier, Vintemberg, Lanthimos e, por vezes, Bergman. Acho que eu detestei todos os personagens de Cassavetes, com exceção da tresloucada Mabel - em especial os personagens masculinos, que são sempre machistas, violentos, ignorantes, aquele tipo de homem que não deveria conviver em sociedade por ser quase incivilizado. Também acho que nunca mais vou conseguir ver um filme com o Peter Falk sem sentir engulhos. Como eu disse, eu sei que o diretor tem méritos, mas não é um cinema que me agrade ou que me desperte emoções interessantes ou, ainda, que me instigue intelectualmente. De qualquer forma, "Uma Mulher Sob Influência" é uma obra que merece a visitação, ao menos pelo trabalho da atriz, incômodo e incrível. Recomendo.

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