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  • hikafigueiredo

"Vampiros de Almas", de Don Siegel, 1956

Filme do dia (285/2021) - "Vampiros de Almas", de Don Siegel, 1956 - Na pequena cidade de Santa Mira, na Califórnia, o médico Dr. Miles (Kevin MCarthy) começa a perceber estranhas condutas em antigos moradores, velhos conhecidos seus. Após alguns pacientes alegarem que seus parentes não seriam realmente as pessoas que aparentavam, mas sim réplicas exatas daquelas, ele faz uma terrível descoberta.





Clássico absoluto do gênero sci-fi - tanto que ganhou a refilmagem "Invasores de Corpos" (1978), tão festejada quanto a obra original - , o filme é, aparentemente, uma ingênua história sobre invasão alienígena - mas, não se engane, há muito mais por trás dele. No auge da Guerra Fria, quando o norte-americano médio tinha pesadelos com a expansão da "dominação comunista", a obra é, na realidade, uma metáfora acerca do "perigo vermelho", o mal que avançaria sobre a inocente população e que a transformaria em seres desprovidos de vontades, sonhos ou desejos. Buuuuuuu!!!! Através do filme, conseguimos ter uma noção do grau em que chegava a paranoia dos norte-americanos (e não só deles, uma vez que essa ideia de "comunista-come-criancinha" foi amplamente exportada para os países capitalistas da América Latina - dando no que deu, né?) e quanto a mídia - incluindo aí, Hollywood - era conivente - senão a principal veiculadora - dessas ideias delirantes, de evidente viés ideológico. Só pelo recorte de realidade que o filme faz, ele já seria excepcional, pois traz à tona todo o poder de manipulação da indústria cultural (melhor parar por aqui antes que eu comece a desencavar as aulas sobre a Escola de Frankfurt rs). Mas, além disso, a obra também é uma ficção científica eletrizante, deliciosa de ver ainda nos dias de hoje. A narrativa é linear, ainda que acompanhe um grande flashback do protagonista. O ritmo é muito marcado e crescente. A atmosfera é tensa, segue a linha da paranoia, o medo que o personagem sente é palpável, denso, sólido. A linguagem cinematográfica utilizada é convencional, sem ousadias, mas coesa. A fotografia P&B inicia suave, mas torna-se mais e mais contrastada à medida que a tensão aumenta - isso fica bastante evidente na cena do túnel, quando Miles reencontra a personagem Becky (aliás, é a cena de destaque do filme). A obra tem o bem senso de evitar efeitos especiais, coisa que muitas vezes estragava um filme na época em que os efeitos especiais eram bastante rudimentares. O elenco é composto por Kevin McCarthy como Dr. Miles, um personagem obstinado e decidido a lutar por suas convicções - exatamente o tipo de herói esperado na época; Dana Wynter interpreta Becky Driscoll; e King Donovan dá vida ao personagem Jack. A obra é incrível por mil motivos, mas, também, por ser envolvente e um bom exemplo de ótima ficção científica. Recomendo muito (e agora quero ver a refilmagem com Donald Sutherland!!!!).

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