• hikafigueiredo

"Veneno para as Fadas", de Carlos Enrique Taboada, 1985

Filme do dia (432/2020) - "Veneno para as Fadas", de Carlos Enrique Taboada, 1985 - Flavia (Elsa Maria Gutierrez) acaba de trocar de escola. No novo colégio, ela faz amizade com Verônica (Ana Patricia Rojo), uma estranha menina que alega ser, na realidade, uma bruxa.




Última obra da filmografia do diretor mexicano Carlos Enrique Taboada, o filme é uma aula de terror psicológico. Flertando constantemente com o sobrenatural, a história levanta a dúvida quanto à real identidade de Verônica e, como Flavia, faz com que o espectador se questione se há alguma veracidade nas palavras e ameaças da estranha menina. Para surtir o efeito desejado, a narrativa é tomada do ponto de vista das crianças e, para tanto, mergulhamos no universo infantil, de maneira que os adultos mostram-se como estrangeiros naquela realidade, tanto que raras são as vezes em que lhes vemos os rostos. Neste panorama, Verônica surge como um ser manipulador, perverso e ameaçador, que toma, de assalto, a vida de Flavia. Saindo um pouco da atmosfera fantástica, o filme é um olhar sobre as relações tóxicas, que têm, na manipulação, seu principal ingrediente. Verônica é uma "psicopatinha" mirim, não tem empatia por ninguém e, tampouco, sente qualquer culpa pelos jogos que impõe à coleguinha, a maioria deles cruéis e perigosos. A narrativa é linear e o ritmo moderado e constante, o suficiente para criar expectativas no público. O clima é de dúvida e angústia, pois não sabemos o que Verônica poderá fazer no segundo seguinte. Certo é que a suposta bruxa ganha nossa raiva por tantas maldades que faz com Flavia. O desfecho não seja a ser exatamente surpreendente, mas, para mim, foi catártico. Gostei bastante da maneira sombria como a história se desenvolve. Também curti a fotografia, escura e com um tom ligeiramente amarelado. Achei as duas atrizes mirins fantásticas, principalmente Ana Patricia Rojo - ela deve ser realmente ótima, tamanho o ranço que ela me despertou ao longo da história, pois a personagem Verônica é, simplesmente, odiosa. Considerando o primeiro contato decepcionante com a filmografia de Taboada com o insípido "Até o Vento Sente Medo", a obra veio me mostrar o talento do diretor em criar situações e atmosfera. Eu gostei demais da experiência e recomendo!!!

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