• hikafigueiredo

"Vestida para Matar", de Brian De Palma, 1980

Atualizado: 8 de nov. de 2021

Filme do dia (329/2021) - "Vestida para Matar", de Brian De Palma, 1980 - A dona-de-casa Kate (Angie Dickinson) encontra-se numa crise conjugal, motivo pelo qual passa por sessões de terapia com o Dr. Elliot (Michael Caine). Sexualmente frustrada, Kate acaba nos braços de um estranho, sem perceber que isso poderá ser um risco para seu casamento e para sua própria vida.





Quatro anos após o irretocável "Carrie, a Estranha" (1976), De Palma lança mais este filme de destaque em sua filmografia. Como de costume, trata-se de um thriller muitíssimo bem construído, verdadeira especialidade do diretor. A obra discorre sobre frustrações e compulsões e traz consigo uma forte carga erótica. Como em obras posteriores, temos, também, referências ao mestre supremo Hitchcock, em especial quanto ao filme "Psicose" (1960), mas não só a ele. O roteiro, de autoria de De Palma, mostra-se coeso, não deixa pontas soltas e é hábil em causar tensão no espectador. No entanto, vejo alguns problemas nele, que não chegam a estragar a obra enquanto thriller. O primeiro problema, que me gerou profundo incômodo, relaciona-se a uma questão de responsabilidade. Para não dar um spoiler fatal, não posso especificar o exato motivo do meu incômodo, pois relaciona-se ao desfecho da trama, mas afirmo que há, na narrativa, uma "solução" que traz uma carga bastante negativa para as pessoas numa certa condição. Pois é... não posso revelar qual é essa condição, mas, digamos que a história poderia aprofundar um preconceito muito injusto com essa específica parcela de pessoas. Diria mais... acho que a história mistura informações acerca do estado psicológico de um personagem e acaba fazendo uma miscelânea, confundindo o espectador acerca do assunto tratado. Okay... falei muito e disse pouco, mas, quem viu o filme, certamente sabe de qual preconceito estou falando. O segundo problema, que também não chega a estragar a experiência, é de ordem formal. Percebi que De Palma achou por bem reaproveitar ideias já apresentadas em "Carrie, a Estranha", numa clara alusão a "em time que está ganhando não se mexe". Então, principalmente nas cenas iniciais e nas finais, o diretor faz quase uma repetição do que tivemos no filme mencionado. Como eu falei, não estraga o filme, mas achei desnecessário fazer algo tão parecido com o que já havia sido feito. Tratando um pouco da parte técnica, ressalto a fotografia e a montagem da obra. A fotografia, em alguns momentos brilhante, traz posicionamentos de câmera ultra sofisticados e criativos e brinca bastante com planos detalhes e movimentos de câmera, colaborando com a criação de atmosfera. A montagem, também muito bem orquestrada, faz "triangulações" entre planos, acompanhando o olhar dos personagens que, além de explicitar o absoluto domínio da linguagem cinematográfica por parte de De Palma, ainda ajuda na mesma questão de estabelecer clima. Destaque para a cena do museu, perfeita, e para a cena final (cena do banheiro), quase um tributo a "Psicose". No elenco, temos Angie Dickinson afiadíssima como Kate. A personagem é bastante silenciosa e a atriz precisa mostrar muito através de expressões faciais, olhares e movimentação corporal - e devo dizer que Dickinson não se perde um momento algum. Como o personagem Elliot, Michael Caine, na minha opinião subaproveitado. No papel de Liz, a queridinha do diretor Nancy Allen - já disse que não sou muito fã do trabalho da atriz e mantenho minha posição, pois a acho bem pouco sutil e cheia de caras e bocas. Por fim, keith Gordon interpreta o personagem Peter - ah... o rapaz está okay no papel, mas precisaria comer muito feijão para contracenar com Caine e Dickinson no mesmo patamar. Ainda que eu - para variar - tenha cantado a bola de quase tudo o que ia acontecer, acho que o filme tem méritos e vale a visita, porém alerto que a obra não é melhor do que os demais assistidos recentemente - "Dublê de Corpo" (1984), "Um Tiro na Noite" (1981) e, principalmente, "Carrie, a Estranha" (1976).

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