• hikafigueiredo

"XXY", de Lucia Puenzo, 2007

Filme do dia (02/18) - "XXY", de Lucia Puenzo, 2007 - Alex (Inés Efron) tem 15 anos e é intersexo, possuindo características sexuais tidas como femininas e outras tidas como masculinas, inclusive no que se refere às suas genitálias. Nascida na Argentina, Alex é levada, ainda bebê, para o Uruguai, onde seus atributos femininos foram colocados em evidência, em detrimento aos masculinos. A chegada de um cirurgião e de Álvaro, seu filho adolescente, vão colocar em cheque a identidade de Alex.





Filme interessantíssimo, a obra discorre sobre identidade, auto aceitação, intersexualidade, não-binariedade, preconceito, relações familiares e sociais e, acima de tudo, a necessidade humana em tudo normatizar e o "bug" que acontece quando algo sai fora do previsto. Ainda que Kraken, o pai de Alex, interpretado por Ricardo Darín, tenha resistido a fazer qualquer intervenção cirúrgica em Alex, é certo que toda a sua criação foi direcionada para que ele/ela firmasse identidade feminina. A obra não busca soluções fáceis - na realidade, sequer soluções são propostas, mas, sim, abre-se discussão acerca da não-normatização, isto é, questiona-se a necessidade de definir uma pessoa segundo o sexo feminino ou masculino, ignorando-se toda a gama de possibilidades intersexuais existentes, da mesma forma que se questiona a normatização do desejo sexual (heterossexualidade e homossexualidade, como se não fossem possíveis outras variáveis). O filme, em suma, "põe" o espectador para pensar sobre vários temas inter relacionados sem "fechar" qualquer posição de forma dogmática - o que eu gostei bastante. Os assuntos são tratados de maneira crua, não espere grandes sensibilidades e delicadezas. Tecnicamente, é um filme correto, sem maiores destaques. No elenco, além do sempre ótimo Ricardo Darín (não seria filme argentino sem ele! rs), Valeria Bertuccelli ("A Sorte em Suas Mãos", "Clube da Lua") como mãe de Alex e a excelente Inés Efron - Alex é andrógino(a) e encontra-se no limiar entre masculinidade e feminilidade, e Inés Efron consegue imprimir toda essa dubiedade em Alex. Filme ótimo e necessário, recomendo.

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