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  • hikafigueiredo

"Yojimbo", de Akira Kurosawa, 1961

Filme do dia (143/2019) - "Yojimbo", de Akira Kurosawa, 1961 - Japão, 1860. A ascensão de uma classe média aponta para a derrocada do xogunato e de toda a Era Tokugawa. Sem mestres a quem servir, os samurais se vêem desempregados e à margem da sociedade. Um samurai (Toshiro Mifune) vaga pelas estradas atrás de alguma forma de se manter. Ao chegar em uma pequena cidade e tomar ciência de que, ali, dois comerciantes rivais estão em embate para ver quem domina o local, o samurai vê uma grande oportunidade de ganhar algum dinheiro e, ainda, ajudar os moradores da cidade que estão sendo subjugados pelos dois contendentes.





Desnecessário dizer que essa obra de Akira Kurosawa é genial, né, já que todas suas obras são. Mas, analisando um pouco mais o filme, percebemos quão espetacular ele é. Por um lado, o diretor trabalha um período bem específico da história do Japão - a queda vertiginosa da Era Tokugawa e, consequentemente, do prestígio dos samurais que serviam aos xoguns. Se até então, Kurosawa, em seus filmes, retratava o ápice dos samurais, que se mostravam altivos e prestigiados, sendo reverenciados como grandes guerreiros, aqui o diretor aponta sua câmera para um guerreiro que, muito embora inteligente, capaz e eficiente, não encontra mais ecos na sociedade e é visto como mero matador de aluguel. Sob esse olhar, o samurai de Toshiro Mifune é pouco mais que um indigente e toma ares de anti-herói - okay, ele ainda guarda certa nobreza de caráter quando se trata da população humilde subjugada pelos poderosos, mas, em relação a estes últimos, o personagem mostra-se cínico, desleal e manipulador. Seguindo a estratégia do samurai, Kurosawa brinca de xadrez, jogando os dois grupos rivais um contra o outro, uma delícia de acompanhar. Mas, espere, o filme não é fantástico apenas por isso. Tanto a história quanto a estética são inspiradas ... nos westerns norte-americanos!!!! Sim, você percebe claramente qual foi a inspiração do diretor quando assiste ao filme - desde a entrada do samurai na cidade, até as cenas das lutas, tudo remete aos filmes de faroeste e é tãããããão fenomenal, pois são japoneses com espadas no lugar de caubóis com pistolas!!!! É sério, é MUITO boa essa releitura de Kurosawa (para mim que não curto muito o gênero western, é melhor que o original! rs). Só por estes dois pontos, a obra já valeria a pena! Mas some a isso uma fotografia P&B inspiradíssima, uma edição de som esplêndida e riquíssima e, claro, Toshiro Mifune no papel principal (eu tenho um crush monstro por esse homem!!!!) - acho que ninguém seria melhor nesse personagem do que ele e sua expressão cínica!!!! Para completar, ainda, a maravilhosa Isuzu Yamada ("Trono Manchado de Sangue" 1957) em uma ponta como Orin. A obra é redondíssima, o ritmo é vertiginoso (ainda mais para um filme japonês), mas devo avisar: como são muitos personagens e nomes, um minuto de distração e você perde o fio da meada, então, não desvie o olhar um só segundo para aproveitar bem a história e não se perder! A obra é PERFEITA!!!! RECOMENDADÍSSIMA!!!!

PS - A continuação dele, "Sanjuro", é igualmente ótima, vale conferir.

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