• hikafigueiredo

"Zeder", de Pupi Avati, 1983

Filme do dia (50/2022) - "Zeder", de Pupi Avati, 1983 - O romancista Stefano (Gabriele Lavia) ganha, de sua esposa Alessandra (Anne Canovas), uma antiga máquina de escrever e acaba descobrindo, casualmente, um texto impresso na fita da máquina. Curioso, ele transcreve o escrito e percebe tratar-se de um texto sobre o renascimento dos mortos e a existência de locais onde a morte poderia ser revertida. Instigado pelo o que leu, ele passa a investigar o assunto.





Essa obra italiana sobre mortos renascidos do túmulo caracteriza-se muito mais como um thriller do que como um filme de terror. A presença, em tela, dos mortos-vivos é praticamente inexistente e, nas suas poucas aparições, nem de longe lembram os tradicionais zumbis em decomposição dos filmes norte-americanos. O foco precípuo encontra-se na investigação firmada pelo personagem Stefano e nos empecilhos impostos à sua procura pelos envolvidos na questão, que farão qualquer coisa para encobrir suas descobertas sobre o assunto. Em última instância, a obra trata do inconformismo humano acerca da morte e sua busca para driblar o inevitável, qualquer que seja seu custo. A narrativa começa com um prólogo um tanto tosco acerca de um estudioso das tais zonas onde a morte não se cumpriria - cena completamente desnecessária, na minha opinião. Após esse flashback inoportuno, a narrativa passa a acompanhar Stefano e sua investigação que o leva a caminhos tortuosos e perigosos. O ritmo é bem marcado e agradável. A atmosfera é de suspense, muito mais do que de terror. A obra traz uma fotografia colorida bem contrastada e que opta por planos médios bem convencionais. A trilha sonora traz uma musiquinha chata (e deslocada) de sintetizador, estilo que caiu no gosto dos produtores e músicos na década de 80 e fez estragos em muitas trilhas sonoras da época. O elenco é encabeçado por Gabriele Lavia, bem no papel de Stefano e que convence na sua motivação (o personagem busca tema para seu novo romance e vê, no texto da fita, uma oportunidade de desenvolver o livro em criação). Anne Canovas, ao contrário, embora linda, é de uma inexpressividade atroz, trazendo sempre um sorriso besta no rosto. O restante do elenco - enorme - cumpre bem sua função, sem destaques ou grandes desastres. A obra, enfim, direciona-se muito mais para os amantes de suspense do que aos do gênero terror. É um filme legal, que prende o espectador na sua trama intrincada, que ganha ares de pesadelo próximo ao final. Não é uma obra prima, mas acho que vale a visita.

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